Se Europa não gastar mais, EUA alteram compromisso com NATO

Secretário norte-americano foi a Bruxelas com uma mensagem clara para os seus parceiros da Aliança Atlântica. Jens Stoltenberg defende que progressos estão a ser feitos

"Já disse há muito tempo que a NATO tem problemas. Em primeiro lugar é obsoleta porque foi delineada há muitos anos. Em segundo lugar, os países não estão a desempenhar o papel que devem cumprir". As palavras são de Donald Trump, presidente eleito, numa entrevista que deu poucos dias antes da sua tomada de posse como presidente dos EUA. Ontem, o seu secretário da Defesa, James Mattis, esteve na sede da NATO, num encontro com os seus homólogos e, apesar de um discurso mais moderado, deixou um aviso: ou gastam mais dinheiro, ou os Estados Unidos vão moderar o seu compromisso com a organização.

"Tenho a obrigação de vos esclarecer sobre a realidade política nos Estados Unidos e de declarar em termos concretos a justa exigência do povo do meu país", declarou Mattis na reunião dos ministros da Defesa dos 28 países da NATO, de acordo com comentários fornecidos aos jornalistas que viajaram com ele para Bruxelas. "A América vai honrar as suas responsabilidades, mas se os vossos países não quiserem ver a América moderar os seu compromisso com esta aliança, cada um de vós precisa de mostrar apoio para a nossa defesa comum", sublinhou o general.

James Mattis exigiu que até ao final do ano cada país aliado adote um plano com objetivos específicos e calendarizados, que mostrem um "progresso sólido" no cumprimento das metas estabelecidas em 2014 - a principal delas é cada um dos 28 aliados gastar anualmente em defesa um montante equivalente a 2% do seu PIB. "Temos de garantir que no final do ano não estamos no ponto em que estamos hoje", declarou.

Além dos EUA, só quatro países já cumprem este critério - Grécia, Reino Unido, Estónia e Polónia -, sendo que Portugal, segundo as previsões da NATO para 2016, não vai além dos 1,38%. (ver infografia)

"Os contribuintes norte-americanos não poderão suportar uma parte desproporcionada dos encargos da defesa da liberdade", afirmou Mattis, acrescentando: "os americanos não podem ser mais responsáveis pelas vossas crianças do que vós".

Num tom mais ameno, Mattis lembrou que vê a NATO como a sua "segunda casa" - foi Comandante Supremo Aliado para a Transformação entre 2007 e 2009 - e que a aliança continua a ser uma "base fundamental" para os Estados Unidos.

Jens Stoltenberg, o secretário-geral da NATO, ouviu as exigências do secretário da Defesa norte-americano e chamou a atenção para o facto de "os progressos até agora serem bons". "Em 2015, parámos com os cortes. Em 2016, 22 aliados aumentaram os seus orçamentos para a defesa. Isto é significativo", sublinhou o norueguês.

Vários ministros da Defesa parecem ter apoiado as exigências de Mattis, como a alemã Ursula von der Leyen, que disse que os "EUA estavam certos" sobre a questão dos gastos. Também o representante checo, Martin Stropnicky, disse não estar surpreendido com as declarações do norte-americano, descrevendo-o como uma pessoa "absolutamente calma, até humilde", muito diferente do apelido Mad Dog (Cão Louco) que Trump usa quando se refere ao seu secretário da Defesa.

"Não foi dramático. O importante é que os EUA estão comprometidos com uma NATO forte e isso significa forças armadas devidamente financiadas", afirmou o checo.

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