"São Tomé está a precisar de uma liderança feminina"

Elsa Garrido, líder do Movimento Social Democrata-Partido Verde, optou por fazer campanha porta-a-porta, falando diretamente com os habitantes de São Tomé sobre as eleições deste domingo dia 7. Defende um governo de Salvação Nacional porque, afirma, o que importa é querer algo de bom para o país

A líder do Movimento Social Democrata-Partido Verde (MVD-PV) disse esta quinta-feira que espera ganhar as eleições de domingo em São Tomé e Príncipe, formar um governo de salvação nacional e "cortar o círculo de vingança" no país.

"Se formos nós a ganhar estas eleições vamos formar um governo de Salvação Nacional, buscando os melhores, os mais patriotas para cortarmos o círculo de vingança. Não importa de que sensibilidade é, importa é ser são-tomense e querer algo de bom para São Tomé e Príncipe", disse Elsa Garrido, em entrevista à Lusa.

Quando faltam apenas quatro dias para o escrutínio, a candidata do MVD-PV ao cargo de chefe do Governo afirma estar a fazer uma campanha "porta-a-porta", sem materiais, mas que está a ser acolhida "naturalmente pela população".

"Infelizmente não sabemos porquê, temos os nossos materiais de campanha bloqueado no aeroporto de Luanda, não sabemos de onde vem este bloqueio, não sabemos o que é que está a acontecer", lamentou.

A candidata optou por fazer uma campanha porta-a-porta, em que fala "diretamente com os habitantes". Não tivemos meios para fazer aqueles comícios, aquelas campanhas clássicas, mas existem outros métodos de campanha que também poder eficazes".

Elsa Garrido diz que espera ganhar estas eleições legislativas e autárquicas de 7 de outubro em São Tomé.

"Parece impossível, mas pode haver surpresas", disse a líder do Partido Verde.

Elsa Garrido, 42 anos, admitiu também a possibilidade de participar em qualquer governo caso seja convidada por uma das formações políticas vencedoras.

"A nossa preocupação primeira é poder fazer alguma coisa que possa ajudar ativamente para sairmos desse círculo vicioso", sublinhou, esperando que essa participação não sirva para o que classificou como o seu "assassinato político".

Vangloriou-se com o facto de ser a primeira mulher "em 43 anos de independência a liderar uma força política" e defende que a participação do seu partido nestas campanhas é também para se darem a conhecer e "obviamente tentar tirar um lugar na governação de São Tomé e Príncipe".

"O país precisa de ideias frescas, de uma outra visão de ver as coisas, de uma outra abordagem dos assuntos sociais, nas questões ambientais", explicou.

"Nós somos um partido verde, mesmo ao nível da África lusófona estamos a fazer história porque São Tomé e Príncipe está a dar o pontapé de saída para a instalação de um partido político que efetivamente está dedicada a defender a política de sustentabilidade", acrescentou.

Elsa Garrido acredita que "o país está a precisar de uma liderança feminina" e promete "fazer o povo saber que existe outra maneira de fazer política e estar na política".

"O Partido Verde não se limita apenas a plantar árvores, cuida primeiro dos seres humanos, das questões sociais, para depois cuidar das questões económicas", explicou.

O MDS-PV tem um programa de governo com cinco eixos fundamentais, que incluem a revitalização das empresas nacionais e criação de um Pacto Social Empresarial destinado a "formar jovens, capacitá-los e dar emprego".

Justiça, comunicação social, turismo e energia são outros dos pilares fundamentais deste programa.

Elsa Garrido criticou a reforma judicial feita pelo governo cessante (Ação Democrática Independente, liderado por Patrice Trovoada): "Fizeram de conta que reformaram a justiça, não, não há reforma da justiça. É preciso que essa reforma se faça com consenso, o que não houve. A justiça não se faz simplesmente com a cabeça de uma pessoa".

A candidata defendeu que a comunicação social deve servir para "estimular o intelecto do povo" e sustentou que a "energia fóssil já não é opção para São Tomé e Príncipe", propondo uma aposta nas energias alternativas.

O Partido Verde considera que "a saúde pública está uma lástima", sublinhando ter ficado "estupefacta" com o facto de que "nesses quatro anos de governação, as grandes reformas do país são feitas sem consensos com os outros partidos políticos, sem conversar com a população".

"Não se pode desenvolver um país à margem do seu povo, não podemos continuar a manter o povo na ignorância, na miséria, para no momento da campanha explorar esta mesma miséria intelectual e material. As pessoas não são livres de falar e isso é tóxico para uma democracia, não é saudável", concluiu.

Mais de 97 mil eleitores são chamados a votar, no próximo domingo, nas legislativas, regional do Príncipe e autárquicas de São Tomé e Príncipe.

Jornalista da agência Lusa

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