Portugal envia mergulhadores e fuzileiros para resgate no Príncipe

Aumentaram para oito os mortos do naufrágio perto da ilha do Príncipe. Governo português continua sem confirmação sobre o possível desaparecimento de duas portuguesas.

Seis mergulhadores e dois fuzileiros munidos com drones vão partir esta sexta-feira à noite de Portugal rumo a São Tomé e Príncipe para reforçar as operações de busca e resgate das nove pessoas ainda dadas como desaparecidas na sequência de um naufrágio ao largo da ilha de Príncipe.

A informação foi avançada ao DN pelo comandante Pedro Coelho Dias, porta-voz do Estado Maior General das Forças Armadas (EMGFA), que confirmou ter sido encontrado esta sexta-feira o corpo de uma oitava vítima mortal - uma mulher, como tinha sido informado pelo governo regional do Príncipe.

"Foi encontrado o corpo de uma senhora, o que perfaz neste momento quatro crianças e quatro adultos" que morreram no naufrágio do navio, disse à Lusa Teobaldo Cabral, assessor do presidente do governo regional do Príncipe, José Cassandra.

Apesar da informação inicial apontar para a presença de duas portuguesas entre os desaparecidos, as autoridades portuguesas continuam a não ter confirmação da informação, como disseram ao DN o comandante Pedro Coelho Dias e uma fonte da secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas.

Esta sexta-feira, a fragata Zaire da Marinha portuguesa envolvida nas operações de resgate tentou rebocar o navio naufragado, "Amfitriti", mas essa operação "acabou por não ser possível nem precisa", disse Pedro Coelho Dias. "Com a deriva, o navio acabou por encalhar no ilhéu Tinhosa Grande, a sul do Príncipe".

A equipa de mergulhadores e fuzileiros enviados de Lisboa deve chegar ao local de operações na tarde de sábado, acrescentou o militar. Com o barco naufragado estabilizado junto ao ilhéu, os mergulhadores vão tentar encontrar pessoas presas no interior da embarcação.

Secretário de Estado explica acompanhamento feito

O secretário de Estado das Comunidades afirmou estta sexta-feira de manhã que ainda não foi possível confirmar a existência de cidadãos portugueses a bordo do navio que naufragou perto da ilha do Príncipe, apesar de estar a acompanhar a situação.

Em declarações à agência Lusa, José Luís Carneiro explicou que na lista de passageiros "há dois nomes que, aparentemente, levam a concluir que se tratará de cidadãos portugueses".

"Todavia, não é possível confirmá-lo porque não temos registo desses nomes nos nossos serviços consulares. Contudo, é sempre de admitir que pudessem estar em viagens de turismo. Mas ainda não foi possível determinar a nacionalidade desses dois passageiros que têm nomes portugueses", disse.

De acordo com o secretário de Estado das Comunidades, em circunstâncias como estas há três formas de atuar para se chegar a uma identificação: confirmação através do registo consular, através de informações das autoridades locais e pelos contactos de familiares.

"Ora, neste caso, estas três fontes de informação não se verificam, ou seja, por um lado não temos registo destes cidadãos na secção consular da embaixada e as autoridades ainda não conseguiram confirmar a identidade dos desaparecidos e, por outro lado, também não temos contactos familiares a solicitarem informações sobre estes dois nomes", destacou.

Por isso, José Luís Carneiro salientou a importância de todas as pessoas que vão viajar estarem inscritas nos postos consulares e na aplicação registo do viajante.

O secretário de Estado lembrou que ainda há pessoas desaparecidas e ainda estão a decorrer as operações de busca e salvamento, que têm contado com o apoio de militares portugueses e da marinha portuguesa em articulação com o chefe de Estado-Maior das Forças Armadas e também do Ministro da Defesa de São Tomé.

"Continuamos a cooperar com as autoridades são-tomenses, quer pelo gabinete de emergência consular da direção-geral das comunidades portuguesas, da embaixada portuguesa e por responsáveis da estrutura consular em articulação com os serviços são-tomenses", disse.

José Luís Carneiro lamentou a "perda de vidas em circunstâncias trágicas" e transmitiu a solidariedade de Portugal com as autoridades de São Tomé.

Empresa reage: "esforços concentrados na busca e na prevenção da poluição"

Entretanto, a empresa Oca Logistics, que gere o navio "Amfitriti" disse estar a trabalhar "na busca de pessoas desaparecidas e na prevenção da eventual poluição", refere um comunicado assinado pelo gerente da Oca Logistics, Jean Philippe.

Fonte do gabinete do primeiro-ministro são-tomense disse à agência Lusa que Jorge Bom Jesus se desloca este sábado para "acompanhar mais de perto a situação".

O chefe do executivo são-tomense anunciou na quinta-feira a abertura imediata de um inquérito para "se apurarem as causas deste trágico acidente e assacar as eventuais responsabilidades".

O navio "Amfitriti", que fazia a ligação entre as ilhas de São Tomé e do Príncipe, uma viagem que dura entre seis e oito horas, zarpou do porto de São Tomé na noite de quarta-feira com destino à cidade de Santo António e naufragou já perto da ilha do Príncipe, na madrugada de quinta-feira.

A bordo viajavam 64 passageiros e oito tripulantes e o navio transportava 212 toneladas de carga.

Segundo as autoridades locais, o acidente causou oito mortos -- quatro crianças e quatro adultos -- e nove desaparecidos. Cinquenta e cinco pessoas foram resgatadas com vida, três das quais foram transportadas para a ilha de São Tomé por apresentarem ferimentos graves.

O presidente do governo regional do Príncipe, José Cassandra, afirmou haver registos de três passageiros estrangeiros -- duas portuguesas e um francês -, mas essa informação ainda não foi confirmada.

O navio da Marinha portuguesa "Zaire", que se encontra em missão no país, com uma guarnição constituída por militares portugueses e são-tomenses, navegou de imediato para o local do naufrágio.

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