Santamaría: "Esta é uma Catalunha onde não se faz caso das normas"

Vice-presidente do governo espanhol defendeu no Senado a aplicação do artigo 155.

"Não esqueçamos que isto começou como um exercício de enorme responsabilidade política", disse Soraya Sáenz de Santamaría, a vice-presidente do governo de Mariano Rajoy, no Senado, que irá votar hoje a aplicação do artigo 155 na Catalunha. "A intolerância na Catalunha foi crescendo, mas sobretudo a intolerância à verdade".

"Perante uma crise que exerceu esforços, Artur Mas decidiu atribuir todos os males da Catalunha no governo espanhol", prosseguiu a governante, falando o anterior presidente da Generalitat, que convocou uma consulta popular sobre a independência da Catalunha em 2014.

"Os únicos que ganharam as eleições de 2015 foram a CUP e o presidente Puigdemont", declarou Santamaría. "Puigdemont tornou-se presidente porque era a opção mais cómoda para os radicais", declarou a número dois de Rajoy, falando do resultado das eleições autonómicas que se seguiram à consulta popular de há três anos.

"Os independentistas deixaram muito claro, em muitas ocasiões, que não querem dialogar", garantiu Santamaría. "O governo espanhol convidou o presidente [Puigdemont] para o Senado e este não veio. Na verdade, não lhe faltaram oportunidades".

Soraya Sáenz de Santamaría falou ainda da forma como foi aprovada a realização do referendo pelo Parlamento catalão, dizendo que "não se respeitaram as ordens do dia. "Esta é uma Catalunha onde não se faz caso das normas. A Catalunha dos secessionistas mostrou a sua própria cara".

A governante sublinhou o facto de "um grande número de empresas" ter optado por mudar a sua sede social para fora da Catalunha, mas também que "caiu o turismo e o comércio ressente-se" com a situação que se vive na região.

Sobre a aplicação do artigo 155 da Constituição, que suspende a autonomia, Santamaría admitiu que este "foi acionado de forma excecional", mas lembrou que "é um mecanismo que não é exclusivo de Espanha. Também da Alemanha, Áustria ou Portugal". "Este mecanismo não é inédito em Espanha. Foi aplicado há 30 anos por uma questão tarifária".

"Desde que decidimos aplicar o 155 só tem havido ruído", lamentou a vice-presidente do governo espanhol.

A governante explicou ainda que os objetivos da aplicação do artigo 155 são quatro. "Recuperar a legalidade, recuperar a convivência, preservar a recuperação económica e convocar eleições com normalidade". "Acham que o que temos assistido por estes dias pode ser qualificado de outra forma que não de desgoverno?", questionou.

"Estamos a dar um passo em frente no domínio do Estado de Direito, da pluralidade e da diversidade", prosseguiu. "Não falamos de ideias, nem de ideologias. Falamos de princípios básicos para a convivência".

"Trabalharemos com a autorização dos catalães, se nos a derem, deste projeto compartilhado na Europa e no mundo, que é a Espanha", terminou a número dois de Rajoy.

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