Salvini vai processar por difamação ministra que foi comparada a um orangotango

Cécile Kyenge acusou um membro da Liga que a comparou a um orangotango de racismo. Agora está a ser processada pelo líder do partido, o atual vice-primeiro-ministro, Matteo Salvini, por difamação

O ministro do Interior e vice-primeiro-ministro italiano Matteo Salvini vai processar Cécile Kyenge, ex-ministra da Integração do governo de Itália por difamação. O caso remonta a 2013, altura em que Kyenge foi nomeada ministra e enfrentou alguns comentários menos simpáticos por parte de elementos da Liga, o partido de extrema-direita de que Salvini é líder. Um deles comparou-a a um "orangotango", outro falou das "medidas tribais" que seriam imposta na lei da Imigração italiana. Ela respondeu com acusações de racismo. Agora, cinco anos depois, Salvini e a Liga decidiu processar Kyenge por difamação.

"Não importa se ganhamos ou perdemos, o importante é que as pessoas comecem a abrir os olhos. Levante-se e não deixe que essas coisas passem despercebidas. Isso não deve acontecer com as gerações futuras. . . a partir deste momento eu luto porque existe a obrigação de todos os partidos políticos e todas as instituições poderem aplicar a lei contra o racismo ", defendeu Kayenge em declarações ao FInancial Times.

A ex-ministra da Integração do governo de Enrico Letta e membro do Parlamento Europeu pelo Partido Democrata desde 2014 vai enfrentar Salvini em tribunal.

Comparada a um orangotango

Quando Cécile Kyenge foi nomeada ministra da Integração em 2013, foi comparada a um "orangotango" por Roberto Calderoli, senador da Liga e veterano do partido. Já Fabio Rainieri, um ex-deputado da Liga, publicou uma foto de Kyenge na página no Facebook com uma foto de um macaco sobreposto sobre o rosto da governante de origem africana.

Depois desse episódio, Kyenge, que nasceu na República Democrática do Congo e se mudou para Itália quando estudante, denunciou a política anti-migração de Salvini por abrir uma "estrada" para grupos de extrema-direita fazerem comentários racistas. Kyenge garante que tentou o diálogo com Salvini, para que "se distanciasse do que estava a acontecer dentro de seu próprio partido", mas sem sucesso.

O gabinete de Salvini não quis comentar o caso. No entanto, a advogada Claudia Eccher defendeu que o partido tem uma atitude crítica em relação aqueles que generalizam e chamam o partido de racista: "Matteo Salvini é muito preciso nisso. Esta não é apenas uma ação contra a Sra. Kyenge, mas tornou-se uma questão de esclarecimento; o racismo não faz parte das fundações da Liga Norte [primeiro nome da Liga, que nasceu como partido que defendia a independência do norte de Itália] e Matteo Salvini é muito claro sobre isso."

União Africana preocupada

A verdade é que as posições extremadas de Salvini continuam a colher críticas. Esta quarta-feira, a União Africana manifestou-se "assustada" com os comentários feitos por Matteo Salvini durante uma recente cimeira em Viena, durante a qual comparou os migrantes africanos a "escravos". "Pelo interesse de uma participação construtiva no debate sobre a migração entre os dois continentes, a União Africana requer que [Matteo Salvini] retire as suas declarações depreciativas", acrescentou a comissão da organização pan-africana em comunicado.

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