"Saímos da sombra e não vamos voltar para lá"

Crissel Rodriguez foi levada para os EUA com dois anos. Agora a mexicana tornou-se numa ativista.

Deu informações pessoais ao governo para obter o DACA. Teme que o ativismo a torne um alvo preferencial de deportação?

Como organizadora, sei que esse é um problema, mas não me vai parar. É um perigo, mas escolhi mobilizar e ser ativa.

Qual é a vossa mensagem?

Estamos a dizer às pessoas para não viverem com medo, que é a intenção destas políticas. Saímos da sombra e não vamos voltar para lá.

Denuncia ostracismo. Sente que é pela cor da pele?

Já me aconteceram incidentes de racismo e agora neste trabalho entendo como é estrutural. Um exemplo é que quando alguém vai ser deportado é enviado para centros de detenção. São extensões da encarceração em massa dos negros. Estamos a conectar os pontos e a perceber que a nossa luta é interseccional, as pessoas castanhas e indocumentadas também são vítimas de brutalidade policial. Entendemos que somos vítimas de racismo.

A maioria das pessoas nestas organizações também são originalmente do México?

Trabalho com pessoas de origens diversas, mas posso dizer que a maioria de nós são mulheres e latinas. As mulheres têm tomado posições de liderança nestes esforços.

Há mais ansiedade e medo, ou sentem-se desafiantes?

É uma mistura de emoções. Há muito medo e estamos cientes de que isto não será apenas deixar de ter autorização de trabalho, é a possibilidade de deportação que é muito real. Mas temos de nos lembrar de que no passado conseguimos grandes vitórias de forma coletiva e essa lição ficou connosco.

Que tipo de reforma de imigração gostaria de ver aprovada pelo Congresso?

Idealmente, a libertação das pessoas que se integraram bem neste país e o fim da criminalização da comunidade. Neste momento não estamos focados em legislação a nível federal, por causa da dinâmica política, mas queremos ver o fim da criminalização das comunidades imigrantes, queremos fechar os centros de detenção, porque são locais onde há um sofrimento em massa - as condições são tão más que estão a decorrer greves de fome em protesto.

Acredita que o muro com o México será construído?

O objetivo de construir um muro é irrealista, extremamente caro, e esse dinheiro pode ser usado na construção de infraestruturas e escolas, ter melhor educação para toda a gente. Sei que há legisladores que se sentem tentados a apoiar isso, mas realisticamente, e de forma pessoal, não o vejo a acontecer.

Los Angeles

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG