Rússia: Marinha sueca renasce numa fortaleza subterrânea

Cavernas podem abrigar navios de guerra, quilómetros de túneis, gabinetes e um hospital.

O quartel-general da Marinha da Suécia está a instalar-se numa fortaleza subterrânea ainda dos tempos da Guerra Fria, projetada para resistir a um ataque nuclear, no que foi visto como um movimento defensivo contra uma Rússia ressurgente.

Após uma letargia de 25 anos, a Marinha sueca vai ressurgir, mas desta vez sob milhares de milhões de toneladas de granito, à medida que o país se esforça para construir as suas defesas em resposta a eventuais ameaças de Moscovo, escreve o The Guardian.

A base naval secreta de Muskö, a cerca de 40 km de Estocolmo, que foi concluída em 1969, possui docas subterrâneas que podem abrigar navios de guerra, quilómetros de túneis, escritórios e um hospital.

Segundo Niklas Granholm, analista sénior da Agência de Pesquisa de Defesa da Suécia (FOI), há receio de que os russos possam usar armas poderosas que exigem níveis de proteção que apenas Muskö pode fornecer.

A referida base, cuja área subterrânea é do tamanho da cidade velha de Estocolmo, é única do ponto de vista da fortificação, de acordo com Rebecca Landberg, chefe de comunicações da Marinha sueca.

A Suécia, à semelhança da maioria dos países europeus, cortou fortemente os seus gastos militares após o fim da Guerra fria, tendo, inclusivamente, o estaleiro de Muskö ter sido vendido para a empresa de engenharia alemã Thyssen Krupp.

A empresa de defesa sueca Saab acabaria por comprar a Thyssen Krupp em junho de 2014, depois de algumas reviravoltas que envolveram o recrutamento em massa dos funcionários de Krupp e uma incursão do Ministério da Defesa nos estaleiros da Krupp em Malmö, supostamente para resgatar segredos militares.

Embora Muskö tenha deixado de desempenhar um papel central na defesa sueca nos anos 90, a Marinha nunca deixou por completo a ilha. Mas as instalações estão obsoletas e serão necessários vários anos para que a base consiga ser modernizada. Estima-se que o centro de comando subterrâneo apenas esteja totalmente concluído em 2022, conclui o jornal britânico.

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