Rússia faz investimento bilionário para controlar riquezas naturais do Ártico

A estratégia do Kremlin passa por reforçar a posição russa na região ártica, garantindo a sua posição hegemónica neste ponto do globo e reservando a exclusividade de acesso a pelo menos 513 mil milhões de barris de petróleo que as sondagens sísmicas dizem existir na região.

O Kremlin está a fazer investimentos bilionários para garantir o domínio militar e acesso exclusivo ao petróleo da região do Ártico, segundo um plano que tem sido revelado ao longo das últimas semanas.

O ministro da Defesa russo, Serguei Shoigu, anunciou em fevereiro que a Frota do Norte criou uma divisão de Defesa Aérea para assegurar que "a rota do mar do Norte fica sob proteção segura", com um forte investimento nos postos militares do Ártico.

A estratégia do Kremlin passa por reforçar a posição russa na região ártica, garantindo a sua posição hegemónica neste ponto do globo e reservando a exclusividade de acesso a pelo menos 513 mil milhões de barris de petróleo que as sondagens sísmicas dizem existir na região.

O plano estratégico para o Ártico, assinado pelo Presidente Vladimir Putin e apresentado em Moscovo no passado dia 05 de março, conta com estes investimentos militares como forma de proteção dos interesses russos na região, que se definem essencialmente no campo energético.

No final de 2019, o Governo russo já tinha anunciado que estava a instalar um sofisticado sistema de defesa aéreo (PVO-PRO), que inclui um complexo sistema de radar de deteção de mísseis, na península de Kola, no extremo norte da Rússia europeia.

Este projeto deve ficar pronto ainda este ano e faz parte de um programa mais vasto que, de acordo com um comunicado do Kremlin, datado de fevereiro, "permitirá à Rússia aumentar o seu potencial militar da Frota do Norte e assegurar a monitorização ininterrupta dos mais perigosos mísseis" na região.

As Forças Armadas russas anunciaram ainda a expansão da base militar aérea de Nagurskoye, no Ártico, de onde podem ser lançados os Tupolev Tu-160, capazes de transportar mísseis convencionais e nucleares.

O Kremlin também está a investir em armas de alta precisão, nomeadamente mísseis nucleares, que podem ser disparados de navios quebra-gelo, eles próprios movidos a energia nuclear, a serem colocados no Ártico.

O documento estratégico do Kremlin, que foi elaborado pelo Ministério do Extremo Oriente e do Ártico, define o plano de ação até 2035, apresentando como prioridades "o reforço da soberania nacional e a integridade territorial" da região.

Mas nas últimas semanas, diversos organismos estatais russos têm revelado programas associados ao 'master plan' para o Ártico que revelam os interesses estratégicos na área económica, em particular no setor energético.

O 'master plan' engloba um investimento de 15 biliões de rublos (cerca de 220 mil milhões de euros), ao longo dos próximos 15 anos, na região do Ártico para tirar proveito das infindáveis riquezas naturais do Mar de Bering e do mar de Barents.

Vladimir Putin disse, no final de 2019, que pretende um movimento de transporte marítimos superior a 80 milhões de toneladas, na rota do mar do Norte, no ano 2025, colocando pressão sobre os investidores que procuram este ponto do globo.

Em causa estão 513 mil milhões de barris de petróleo e uma equivalente dimensão em gás natural que Moscovo quer poder controlar, para além de otimistas expectativas que o Kremlin alimenta sobre minas contendo ouro e prata, desde que intensificou as viagens exploratórias que permitiram à Rússia colocar uma bandeira nacional no Ártico, em 2009.

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