Rubio joga tudo ou nada na Florida. Trump tenta confirmação

Apesar do esforço dos últimos dias, sondagens dão senador muito atrás do magnata. Se Rubio e Kasich perderem os seus estados hoje, corrida republicana pode ficar reduzida a Trump e Cruz

O vencedor leva todos (the winner takes it all). É esta frase que faz que as primárias de hoje sejam tão importantes na corrida republicana às presidenciais de 8 de novembro nos EUA. Se Donald Trump vencer a Florida, Ohio e Missouri junta todos os 217 delegados em jogo nestes três estados (Carolina do Norte e Illinois também vão às urnas, mas os seus delegados são distribuídos proporcionalmente de acordo com a percentagem de votos), tornando quase impossível não ser ele o nomeado do partido.

E se Ted Cruz, segundo até agora na corrida republicana (já amealhou 370 delegados, contra os 460 de Trump - para garantir a nomeação um candidato precisa de 1237), é visto como o único a ter uma verdadeira hipótese de travar o milionário do imobiliário, desta vez os holofotes estão apontados aos outros rivais: Marco Rubio e John Kasich. Senador da Florida, Rubio precisa desesperadamente de ganhar no seu estado para continuar em jogo. Por isso, nos últimos dias multiplicou os comícios. E até deixou um estranho apelo a que os seus apoiantes votem em Kasich no Ohio. Governador há cinco anos, este também precisa de vencer o seu estado.

As sondagens, essas, dão mais esperança a Kasich do que a Rubio. O senador de origem cubana surge atrás de Trump na Florida em todos os estudos mais recentes. Já o governador disputa a liderança taco a taco com o magnata no seu estado. O plano deste veterano de Washington (foi congressista durante 18 anos, antes de chegar a governador em 2011) é aproveitar uma eventual desistência de Rubio, aliada ao facto de o aparelho republicano estar reticente em apoiar Ted Cruz, para surgir como o candidato do establishment na convenção de julho em Cleveland, Ohio.

Se vencer o Ohio e, jogando com os apoios e os fundos que isso lhe traria, Kasich espera conseguir mais uns quantos estados - Pensilvânia, Maryland, Wisconsin, Connecticut e Califórnia - e apresentar-se no verão à primeira convenção contestada em muitos anos. Segundo a Reuters, esta "estratégia a longo prazo" do governador pretende convencer os delegados de que "é mais elegível [em novembro] do que Trump ou Ted Cruz". "Muita gente que não quer Trump como nomeado tem estado à espera para ver como se comportam Rubio e Kasich nos seus estados", explicou também à Reuters o estratega republicano Charlie Black.

Violência em comícios
Trump chega a esta espécie de minissuperterça-feira envolto em mais uma polémica. Na sexta-feira, o magnata teve de cancelar um comício em Chicago após os seus apoiantes entrarem em confrontos com manifestantes. E, no sábado, os serviços secretos tiveram de intervir depois de um homem ter tentado subir ao palco onde o candidato republicano discursava.

Os adversários apressaram-se a acusar Trump de ser o responsável por estes ataques, devido à sua retórica incendiária e às declarações polémicas sobre mexicanos (que disse serem "violadores e traficantes") ou muçulmanos (que defendeu serem banidos de entrar nos EUA). Mas os apoiantes do magnata estão convencidos de que estes episódios de violência o vão beneficiar, ao unirem os seus eleitores, levando-os às urnas em grande número hoje.

Trump acusou Bernie Sanders de ser responsável pela violência nas suas ações de campanha, sugerindo que o senador do Vermont e adversário de Hillary Clinton na corrida democrata à presidência incita os apoiantes a interromper os seus comícios. As palavras do milionário valeram-lhe duras críticas de Sanders, que o acusou de ser um "mentiroso patológico". Hillary juntou-se ao rival democrata, denunciando a "intolerância" de Trump, que a ex-primeira-dama classificou ainda de "incendiário político".

Com uma enorme desvantagem em termos de delegados em relação a Hillary (576 contra 1231 para a ex-secretária de Estado - são precisos 2383 para garantir a nomeação na convenção de Filadélfia, na Pensilvânia), Sanders aposta numa nova surpresa, depois da vitória no Michigan, para se manter na corrida democrata. Mas com os delegados democratas a serem distribuídos proporcionalmente, mesmo que vença alguns estados, recuperar o atraso em relação a Hillary é uma missão quase impossível.

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