Rothschilds vendem último pedaço do Império Austríaco

A família que foi o principal financiador do império dos Habsburgos está a vender a última parcela de terra na Áustria, encerrando uma história de 200 anos de história.

O ramo familiar dos Habsburgos representado pela herdeira Bettina Burr concordou em vender dois fundos que possuem cerca de 7 mil hectares de floresta na região da Baixa Áustria para uma empresa de moldagem com sede em Viena, a Prinzhorn Holding GmbH.

A floresta - cerca de 20 vezes o tamanho do Central Park de Nova Iorque - é parte de uma propriedade que o barão Albert von Rothschild comprou em 1875. Os nazis ocuparam a terra depois de a Alemanha ter ocupado a Áustria em 1938 e foi parcialmente devolvida à família após a Segunda Guerra Mundial. A herdeira de Rothschild, Bettina Looram, voltou a morar lá até a sua morte, em 2012. Dois ramos da família dividiram a propriedade, e ambos agora foram vendidos à Prinzhorn, que comprou a floresta adjacente há um ano.

"Isso encerra um relacionamento ambivalente de 200 anos", disse Roman Sandgruber, historiador que no ano passado escreveu o livro, "Rothschild - A ascensão e queda de uma família cosmopolita vienense". Em entrevista, citada pela Bloomberg, afirmou; "Os Habsburgos respeitavam a família, elevavam-nos à nobreza à medida que beneficiavam de seu poder financeiro. Os Habsburgos Católicos, no entanto, sempre mantinham certa distância da família dos Rothschilds judeus."

Negócios de família

No início do século XiX, Mayer Amschel Rothschild enviou os seus cinco filhos para várias capitais da Europa para fazer negócios com vários governos que tinham carência de dinheiro para empreitadas, como ferrovias e até guerras. A família dividiu-se por Viena, Paris, Nápoles, Londres e Frankfurt, apoiando a realeza mais importante da Europa.

Salomon Rothschild começou a fazer negócios em Viena por volta de 1815 e a família tornou-se rapidamente a maior financiadora do império dos Habsburgos, investindo em ferrovias, o que o tornou em décadas o maior proprietário de terras do país.

Os judeus não tinham a permissão para comprar casas em Viena naquela época, pelo que Salomon teve de se hospedar na "melhor pousada da cidade", o hotel Zum Roemischen Kaiser. Só em 1843 é que a família foi autorizada a comprar casas, depois de se tornar indispensável para o imperador. O neto de Salomon, Albert, foi considerado o homem mais rico da Europa em 1910.

A queda

A sorte da família mudou com a crise economia global da década de 1930, quando o seu banco Creditanstalt entrou em colapso, naquele que foi considerado o maior crash da história dos Habsburgos e teve de ser assumido pelo Estado. Nessa altura, o chefe da família, Louis, teve de se livrar de propriedades, cortar custos nas suas propriedades, demitir funcionários e gastar menos em artistas e em artes.

O golpe mais violento ocorreu quando os nazis ocuparam a Áustria e expropriaram os bens da família. Louis morreu enquanto nadava em Montego Bay, no Caribe, em 1955.

Depois da guerra e da restituição de alguns bens, os herdeiros de Rothschild, com exceção da filha de Louis, Bettina Looram, passaram pouco tempo na Áustria. O último Rothschild que trabalhou para um banco austríaco foi Geoffrey Hoguet, no banco de investimento do Creditanstalt até 1997.

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