Romney chama "falso" a Trump. Ele chama-lhe "engomadinho"

Ex-governador que perdeu presidenciais 2012 para Obama apelou a republicanos para que rejeitem magnata "para bem da América".

Para Mitt Romney, Donald Trump não passa de um "falso", uma "fraude", cujas "promessas são tão inúteis como uma licenciatura da Universidade Trump". Com estas palavras duras, o ex-governador do Massachusetts, que em 2012 perdeu as presidenciais para Barack Obama, junta-se a outros líderes republicanos empenhados em impedir que o magnata do imobiliário consiga a nomeação do partido para as presidenciais de 8 de novembro nos EUA.

Num discurso no Utah, estado onde os mórmons como ele são maioritários, Romney apelou aos eleitores republicanos para que não escolham Trump porque isso só ajudaria "alguém tão desonesto como Hillary Clinton" a chegar à presidência. "Deixem-me pôr isto de forma clara: se nós republicanos escolhermos Donald Trump como nosso nomeado, a perspetiva de um futuro próspero e seguro, ficam muito reduzidas", garantiu o ex-candidato presidencial.

A resposta do milionário, que ao vencer sete dos 11 estados da superterça-feira reforçou o estatuto de favorito à nomeação, não poupou Romney. Na NBC, a ex-estrela do reality show The Apprentice lembrou que o ex-governador é um "engomadinho" que "não sabia o que estava a fazer" em 2012 e "desperdiçou" a oportunidade de derrotar Obama. E lembrou que agora "as pessoas estão motivadas por aquilo que digo para irem votar" e não vão dar ouvidos a "um candidato falhado" em que "ninguém foi votar".

Sem apoiar nenhum dos adversários de Trump na corrida republicana, Romney juntou-se assim a outros líderes do partido que se opõem à escolha do magnata para candidato. É o caso de Paul Ryan, o presidente da Câmara dos Representantes, disse na terça-feira que "é preciso rejeitar qualquer causa baseada na intolerância". E o senador do Nebraska Ben Sasse garantiu que em caso de duelo Hillary-Trump, não apoiará "nenhum dos dois", preferindo "uma terceira opção".

Entre o establishment republicano, pouco convencido com um candidato que vai no terceiro casamento e não hesita em criticar as guerras no Iraque e Afeganistão, não falta quem faça contas aos delegados, na esperança de que Trump chegue à convenção sem uma maioria que lhe garanta a nomeação. Aí, uma figura como Mitt Romney teria a sua oportunidade de surgir como candidato de última hora para unir o partido. Uma hipótese confirmada à CNN pelo senador do Utah Orrin Hatch: "Se a convenção estiver empatada, há uma hipótese de Romney avançar".

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