Renzi abre corrida a líder do PD a pensar em eleições antecipadas

Ex-primeiro-ministro quer voltar ao poder com ida às urnas mais cedo, talvez já em junho. Sondagens internas e nacionais são favoráveis às pretensões do ainda secretário-geral

Matteo Renzi pediu ontem a realização de um congresso extraordinário do Partido Democrático de forma a acabar com as divisões internas antes de a formação concorrer às próximas eleições. Com uma postura discreta desde que se demitiu da liderança do governo, após o fracasso do referendo de 4 de dezembro sobre a reforma da Constituição, Renzi quer que as legislativas sejam já este ano, de forma a reconquistar o poder. Mas este seu intento tem sido travado a nível interno por uma fação que quer que ele deixe de ser secretário-geral do partido, cargo que ocupa desde dezembro de 2013.

"Penso que é do senso comum aceitar a ideia de ter um congresso antes de uma eleição nacional", declarou ontem Matteo Renzi perante a direção do Partido Democrático, que se reuniu em Roma. "Está a fechar-se um ciclo na liderança do PD", acrescentou. A sua proposta foi aceite com 107 votos a favor, 12 contra e 5 abstenções.

Renzi defendeu que não lhe cabe a ele decidir quando terão lugar as legislativas - a atual legislatura só termina em fevereiro de 2018, mas o ex-primeiro-ministro é a favor de uma ida às urnas já em junho, pois o país precisa de um novo fôlego político. Por isso, defende que o PD tem de estar pronto para umas eleições, apesar de não ter proposto uma data para a realização do congresso do partido.

De acordo com sondagens internas, avançavam ontem apoiantes do ex-primeiro-ministro, Matteo Renzi conseguirá facilmente derrotar os seus opositores internos, entre os quais se destacam Michele Emiliano, presidente da região de Puglia, e o deputado Roberto Speranza. "Se outros ganharem, então serei o primeiro a congratulá-los. O confronto entre nós será fascinante", declarou.

A data do congresso deverá ser decidida durante o fim de semana. Mas fontes próximas do líder do PD dizem que este poderá ter lugar em abril. Os media italianos adiantam que Renzi poderá apresentar a sua demissão de secretário-geral também no fim de semana, abrindo oficialmente a corrida à liderança.

O antigo líder do PD Pier Luigi Bersani pediu ontem aos seus correligionários para porem de parte um cenário de eleições legislativas antecipadas, de forma a acalmar os mercados, agitados com a atual situação financeira de Itália, nomeadamente ao nível da banca. "Podemos deixar um ponto de interrogação a pairar sobre o destino do governo? Não podemos fazer isso... vai causar problemas a Itália", declarou o também antigo ministro de Romano Prodi.

O Partido Democrático, ou melhor dizendo, Matteo Renzi, não está sozinho na sua intenção de realizar umas legislativas antecipadas. O Movimento 5 Estrelas, que defende um referendo sobre a permanência de Itália na zona euro, também é um grande defensor da antecipação das eleições, já que neste momento as sondagens são-lhe muito favoráveis. Os restantes partidos da oposição, com exceção do Forza Itália - Silvio Berlusconi diz que tal seria "irresponsável" perante as atuais condições do país - , defendem também uma antecipação da ida às urnas.

De acordo com a mais recente sondagem, feita entre os dias 10 e 12 pela EMG, o PD surgem em primeiro das intenções de voto (30,8%), seguido do Movimento 5 Estrelas (28,2%), da Liga Norte (13,1%) e da Forza Itália (12,1%).

No entanto, o Parlamento tem ainda de aprovar a nova eleitoral - o Constitucional ratificou há menos de um mês a lei eleitoral adotada em maio, mantendo o chamado "prémio" que dá a maioria a quem tiver mais de 40% dos votos, mas anulando os escrutínios a duas voltas. E várias fontes adiantavam ontem à Reuters esperarem que o atual primeiro-ministro, Paolo Gentiloni, leva a legislatura até ao fim, independentemente do que acontecer dentro do Partido Democrático.

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