Renamo vê motivações políticas na rejeição da candidatura de Venâncio Mondlane

A Renamo, principal partido de oposição moçambicana, acusou hoje a Comissão Nacional de Eleições de Moçambique (CNE) de ser "fonte de conflitos" em períodos eleitorais, considerando que a rejeição da candidatura de Venâncio Mondlane para Maputo tem motivações políticas.

"A única coisa que podemos avançar agora é que esta decisão tem motivações políticas", declarou o porta-voz da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), José Manteigas, durante uma conferência de imprensa em Maputo.

Venâncio Mondlane foi afastado depois de uma votação, na segunda-feira à noite, na sequência da impugnação solicitada pelo seu antigo partido, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), que considerou ilegal a candidatura, por Mondlane ter renunciado ao mandato na Assembleia Municipal de Maputo em 2015.

De acordo com a lei moçambicana, "não é elegível a órgãos autárquicos: o cidadão que tiver renunciado ao mandato imediatamente anterior".

Para o porta-voz da Renamo, a decisão da CNE fere o direito fundamental de Venâncio Mondlane, além de revelar que órgão tem sido "sempre uma fonte de conflito em períodos eleitorais em Moçambique.

"Espanta aos moçambicanos a rejeição da candidatura de Venâncio Mondlane", acrescentou o porta-voz do maior partido de oposição em Moçambique, que aguarda uma comunicação oficial da CNE para recorrer da decisão.

"De lembrar que o país está a viver um momento privilegiado de entendimentos políticos, fruto de diálogos e consensos. Por isso exortamos a CNE a não continuar de forma recorrente a ser uma fonte de conflitos em períodos eleitorais", conclui Manteigas.

No processo de votação na segunda-feira, além do MDM, representantes da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, e uma parte da Sociedade Civil votaram pela impugnação da candidatura de Mondlane, tendo o processo terminado com nove votos contra e sete a favor.

Venâncio Mondlane era deputado do MDM, terceira força política do país, e em julho foi apresentado à comunicação social pelo secretário-geral da Renamo, Manuel Bissopo, como membro do maior partido da oposição em Moçambique.

Desconhecem-se as razões da desvinculação de Venâncio Mondlane do MDM, mas o político recusou a sua indicação a candidato do partido por Maputo nas eleições autárquicas, afirmando não ter sido consultado sobre a decisão.

Mondlane, um político conhecido nos centros urbanos de Moçambique pela retórica, foi candidato do MDM a Maputo nas autárquicas de 2013, tendo sido derrotado por David Simango, da Frelimo, num escrutínio muito disputado.

Além de Mondlane, o candidato do MDM para o município da Matola, Silvério Ronguane, está também na mesma lista de nomes que podem ser afastados da corrida eleitoral, mas o processo não foi analisado porque nenhuma entidade pediu a impugnação da sua candidatura.

As eleições autárquicas em Moçambique estão marcadas para 10 de outubro.

Entre 2015 e 2016, Moçambique atravessou uma crise política marcada por confrontações militares entre as forças governamentais e a Renamo, que reivindicava vitória nas eleições gerais de 2014, acusando a Frelimo de fraude no escrutínio.

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