Reino Unido trava extradição de independentista catalã

Clara Ponsatí está na Escócia e avisou que o processo ainda não acabou. Britânicos pedem mais explicações aos espanhóis.

As autoridades britânicas rejeitaram avançar com o pedido de extradição feito pela justiça espanhola contra Clara Ponsatí, uma das dirigentes independentistas que fugiu de Espanha e foi viver para a Escócia para evitar ser julgada por sedição e peculato na organização do referendo de 1 de outubro de 2017 e consequente declaração unilateral de independência.

Os britânicos consideraram inicialmente "desproporcionada" a acusação de sedição, admitindo numa segunda mensagem que enviaram aos espanhóis que tal tinha sido um erro. "Não é desproporcionada, apenas lhe falta informação essencial". Por isso nem sequer colocaram o mandado de captura europeu no sistema -- no Reino Unido há um organismo governamental responsável por analisar os casos. Não há por isso uma decisão a nível judicial.

O Reino Unido avisou já o Ministério do Interior espanhol da sua decisão, pedindo mais informação e pedindo desculpa pela primeira "falha de comunicação". Os britânicos querem mais detalhes sobre a natureza do crime, nomeadamente dados básicos como quando ocorreu e onde, sendo ainda necessária "uma ligação clara entre o crime e o indivíduo em causa".

O chefe da diplomacia espanhol, Josep Borrell, publicou no Twitter o documento enviado pelos britânicos.

A própria Ponsatí, que dá aulas de Economia na Universidade de St. Andrew, tinha lembrado que o processo "ainda não acabou".

O Supremo Tribunal espanhol reativou na terça-feira o mandado de captura europeu contra Ponsatí, ex-responsável pela pasta da Educação no governo catalão, assim como contra outros dois líderes independentistas que estão em Bruxelas, Lluís Puig (Cultura) e Toni Comín (Saúde). Em outubro, nove independentistas foram condenados a penas entre os 9 e os 13 anos de prisão por causa do referendo.

"O ridículo internacional de Espanha e da justiça espanhola é colossal. O Reino Unido rejeita tramitar a ordem de captura contra Ponsatí por ser desproporcionada", reagiu no Twitter o presidente do governo catalão, Quim Torra, à primeira notícia.

Morreu o pai de Puigdemont

O processo do ex-presidente da Generalitat, Carles Puigdemont, que também está na Bélgica, está mais avançado, visto o mandado de captura ter sido emitido logo depois da condenação. Puigdemont já foi presente ao juiz e aguarda uma decisão em liberdade, tendo anunciado esta quarta-feira a morte do seu pai.

"A minha mãe, as minhas irmãs e os meus irmãos, vamos recordá-lo sempre como um homem de imensa bondade e fidelidade aos valores do cristianismo. Descanse em paz", escreveu no Twitter.

Há uma semana, Puigdemont confessava numa entrevista ao The Times que temia não voltar a ver os pais. "A minha mulher e as minhas filhas vivem a quase mil quilómetros de distância. Duvido que volte a ver os meus pais com vida", disse então.

O estado de saúde de Xavier Puigdemont tinha piorado nos últimos meses, tendo sido operado em setembro. O pai do ex-presidente vivia em Amer, onde a família é proprietáia de uma pastelaria com o nome da família e em que Xavier terá trabalhado quase até morrer, segundo o La Vanguardia.

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