Suspeitas de assassinato. Polícia detém Rei do 'cachopo'

Cesar Román Virueta fez sucesso meteórico em Madrid. Em ano e meio, abriu cinco espaços para servir o tradicional cachopo, bife recheado com presunto e queijo. Até que um dia desapareceu do mapa e deixou um rasto de dívidas. Foi agora detido, suspeito de ter assassinado a sua ex-companheira

Cesar Román, empresário de restauração mais conhecido em Espanha como o Rei do Cachopo (um bife panado recheado com presunto e queijo), foi detido esta sexta-feira em Saragoça depois de estar desaparecido desde julho. A detenção, noticiada pelo jornal El País, surge horas depois de a polícia espanhola ter confirmado que o empresário de 45 anos era o principal suspeito de ter assassinado e esquartejado a sua noiva, Heydi Paz Bulnes, cujo corpo foi descoberto em agosto dentro de uma pequena maleta, após um incêndio num estabelecimento comercial que pertenceu a Román.

O mistério em redor do desaparecimento de Cesar Román prendeu a atenção da imprensa espanhola nos últimos meses, depois do empresário ter revolucionado em tempo recorde a restauração de Madrid. A sua extravagância, segundo o jornal espanhol El País, espantou todos que se cruzaram com ele. Através de uma agressiva campanha de marketing, que o fez aparecer constantemente nos meios de comunicação, Román transformou um simples bife panado recheado com presunto e queijo, conhecido em Espanha como "cachopo", num prato da moda na capital espanhola. Mariano Rajoy, ex-presidente do governo espanhol, foi um dos seus clientes.

Segundo o mesmo jornal, em apenas um ano e meio, entre 2016 e início deste ano, o 'Rei de Cachopo', como já era conhecido, abriu cinco restaurantes, comprou seis motos para distribuir a comida e proclamou seu prato, típico nas Astúrias, como o melhor de Espanha.

Mas, entretanto, os cinco restaurantes que se abriram em toda a cidade com a marca A Cañada Delic Experience fecharam as portas e deixaram um rasto de dívidas que ninguém consegue cobrar, já que o paradeiro Cesar Román era desconhecido desde julho, quando a sua família reportou o desaparecimento.

Sucesso instantâneo

Román e a sua parceira de então, Nati, assumiram no começo da década de um restaurante a que chamaram de A Cañada, numa rua marginal de Madrid. Eles tentaram promovê-lo através de vários pratos do norte de Espanha, mas sem grande sucesso. Mas em 2014 tudo mudou, quando apostaram num prato de cachopo para representar o seu restaurante numa rota de tapas que percorria vários espaços de restauração no bairro madrileno de Lavapiés.

Em apenas 10 dias, o restaurante serviu 12 mil tapas de cachopo. Foi um sucesso instantâneo. O lugar ficou na moda. A personalidade excêntrica de Román também cativava a clientela, explica o El País, acrescentando que além de cozinheiro o dono do A Cañada dizia ter sido um político, um jornalista e ter um passaporte diplomático russo.

"Ganhávamos cinco e seis mil euros por dia durante os fins de semana, muito dinheiro para um local de 100 metros quadrados, foi uma loucura", lembra um trabalhador daquela altura ao jornal espanhol. A rua, que até então era uma esquina onde muitas pessoas da vizinhança evitavam passar, estava cheia de pessoas, especialmente jovens atraídos pelas grandes quantidades de comida a um bom preço.

A ascensão de Román acontece após o divórcio de Nati. Com o sucesso gerado em torno do cachopo, contratou um especialista em comunicação que conseguiu garantir a presença de 100 jornalistas na inauguração de um dos seus restaurantes. E ganhou visibilidade a nível nacional.

O desaparecimento em julho estava a ser investigado no âmbito de várias dívidas que tinha, como dois empréstimos de 70 mil e 180 mil euros para abrir novos restaurantes. O problema é que eu não tinha fundos e as dívidas foram-se acumulando. Os amigos chegaram a encontrá-lo espancado num hospital de Madrid, mas ele alegou que tinha sido uma tentativa de roubo.

O mistério foi ampliado em agosto, quando, na sequência de um fogo num dos espaços ligados a Román, os bombeiros descobriram dentro de uma maleta parte de um corpo carbonizado de uma mulher, confirmando-se agora que se tratava da sua última companheira conhecida, a jovem hondurenha Heydi, que também estava desapecida desde julho.

Atualizado às 12.43 de 16 de novembro com a informação da detenção de Cesar Román

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