Refugiados. Merkel sofre revés eleitoral maior do que o previsto

Partido populista de direita Alternativa para a Alemanha obteve resultados inéditos e entrou em três parlamentos regionais.

Angela Merkel tentou, tentou, mas acabou por não conseguir convencer os alemães de que a gestão que tem feito da crise dos refugiados é a política mais correta. E, por isso, a chanceler alemã viu ontem o seu partido, a CDU, sair derrotado em dois dos três estados federados em que houve eleições regionais na Alemanha: Bade-Vurtemberga e Renânia-Palatinado. Na Alta Saxónia os democratas-cristãos ficaram em primeiro lugar, mas a Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de direita populista que é eurocético e anti-imigração, surgiu em segundo lugar com 24,2%. Capitalizando o descontentamento com a crise dos refugiados, a AfD, liderada por Frauke Petry, consegue agora entrar nos parlamentos regionais destes três estados.

"Nós temos problemas fundamentais na Alemanha que conduziram a estes resultados", declarou Petry, ontem à noite, citada pela agência Reuters. Os problemas a que se refere a líder da AfD é a chegada massiva de migrantes e refugiados a território alemão - em 2015 foram 1,1 milhões. Face a isso, Merkel defendeu inicialmente uma política de portas abertas a todos os que fogem da guerra e procuram ajuda em território da UE, mas tem sido fortemente criticada, tanto a nível interno como externo (por governos de países como por exemplo a Dinamarca).

Segundo projeções à boca das urnas para a ZDF, no estado de Bade-Vurtemberga os Verdes ficaram em primeiro lugar com 30,7%, a CDU em segundo com 27,3%, a AfD em terceiro com 14,5%, à frente dos sociais-democratas, que se ficaram pelos 12,7%. Neste estado, o desafio era o partido de Merkel conseguir regressar ao poder, de onde foi arredado em 2011 após mais de meio século por uma coligação entre Verdes e SPD.

Mais prejudicial do que o resultado em Bade-Vurtemberga foi o resultado registado pela CDU na Renânia-Palatinado, estado de onde é natural o ex-chanceler alemão Helmut Kohl. Aí, o SPD da atual ministra presidente Malu Dreye venceu com 36%, deixando a CDU de Julia Kloeckner, tida como uma das possíveis sucessoras de Angela Merkel, em segundo lugar com 32%. Neste estado, a AfD conquistou a terceira posição, obtendo 12,6% dos votos.

Foi, porém, na Alta Saxónia, onde a CDU ganhou com 30%, que a AfD teve maior avanço, sendo o terceiro partido mais votado pelos eleitores com 24,2%. Em terceiro lugar surgiu o partido de esquerda Die Linke com 15,9%, seguido do SPD com 10,6%. A nível federal os sociais-democratas estão aliados à CDU/CSU num governo de grande coligação liderado pela chanceler Angela Merkel.

Os resultados dos populistas representam um revés tanto para os democratas-cristãos como para os sociais-democratas, tendo a AfD conseguido uma votação inédita na Alemanha moderna para uma formação à direita da CDU. Fundado em 2013 como partido antieuro e antirresgates por um grupo de académicos e jornalistas, a AfD evoluiu para algo mais populista e com um discurso comparável ao de formações de extrema-direita.

Com o Conselho Europeu dos dias 17 e 18 à porta, no qual se espera um acordo UE-Turquia sobre a melhor forma de gerir e acabar com a crise dos refugiados, Merkel encontra-se agora sob uma pressão ainda maior para resolver o assunto. De uma vez por todas. Ou isso custar-lhe-á mais votos.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG