Afegão condenado a perpétua na Alemanha por assassínio e violação

Hussein K. violou e matou uma jovem tendo sido identificado através de imagens de videovigilância e polo ADN. Foi detido sete semanas depois do ataque

Um refugiado afegão foi condenado hoje na Alemanha a prisão perpétua pela violação e assassínio de uma estudante de Medicina de 19 anos, num caso que revelou as disfunções da cooperação europeia.

O tribunal regional de Friburgo, sudoeste, considerou que o acusado, identificado apenas como Hussein K., representa um perigo para a sociedade e pode ser mantido atrás das grades para além dos 15 anos definidos como período mínimo de prisão efetiva da pena perpétua, ao abrigo da figura de "detenção preventiva" prevista no código penal alemão.

A agressão à jovem estudante, numa noite de outubro de 2016, foi particularmente violenta.

Maria Ladenburger regressava de bicicleta de uma festa quando foi surpreendida pelo rapaz, que a obrigou a parar, lhe mordeu o peito e a cara, a tentou estrangular e, depois de a deixar inconsciente, a violou várias vezes.

Identificado em imagens de videovigilância e depois pelo ADN de um cabelo encontrado no local, Hussein K. foi detido sete semanas depois do ataque.

No julgamento, K. testemunhou que puxou Maria Ladenburger da bicicleta, violou-a e lançou-a, inconsciente, ao rio Dreisam, onde acabou por se afogar.

"Ele sabia que ela ainda estava viva quando a lançou ao Dreisam, que ela se afogaria", afirmou a juíza-presidente, Kathrin Schenk.

Quando chegou à Alemanha, em 2015, Hussein K afirmou às autoridades que era menor de idade, o que lhe permitiria beneficiar de um estatuto mais favorável.

Como tal, após o crime, foi acusado como menor, mas, mais tarde, perícias médicas e testemunhos permitiram determinar que tinha 22 anos, e foi julgado e condenado como adulto.

O advogado de K. anunciou que tenciona recorrer da sentença.

O caso revelou disfunções da cooperação europeia, depois de se saber que a Grécia não notificou os parceiros europeus de que Hussein K. estava em liberdade condicional depois de cumprir pena por tentativa de homicídio.

Por outro lado, a notícia de que uma jovem alemã foi violada e morta por um refugiado suscitou indignação na sociedade alemã e alimentou as críticas à chanceler, Angela Merkel, que no ano anterior abriu as portas da Alemanha a quase um milhão de refugiados sírios, iraquianos e afegãos.

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