Reduzir distância de segurança de 2 para 1 metro pode dobrar risco de infeção

Estudo publicado na revista médica The Lancet recomenda um distanciamento social de dois metros.

Reduzir a distância social de dois metros para um pode dobrar o risco de contrair coronavírus, de acordo com um estudo publicado na revista The Lancet, parcialmente financiado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Os vários países têm adotado soluções diferentes quanto à distância social que se deve guardar para evitar o contágio do novo coronavírus. Em Portugal, a Direção-Geral de Saúde (DGS) recomenda que se mantenha "sempre que possível, uma distância superior a dois metros das outras pessoas". Na Alemanha, por exemplo, é aconselhada uma distância de um metro e meio, enquanto na França é aconselhado um metro. No Reino Unido, a distância recomendada é de dois metros, mas esta solução não tem sido pacífica.

O primeiro-ministro, Boris Johnson, veio dizer na passada semana que esperava poder reduzir esta distância para um metro, para facilitar a mobilidade nos transportes públicos, a reorganização nos locais de trabalho, e facilitar a vida a setores como a restauração. Johnson pediu mesmo ao comité de aconselhamento científico (SAGE) - que emite as diretrizes de saúde pública no Reino Unido - que considere a hipótese de diminuir a distância social recomendada. Do lado do primeiro-ministro inglês está o facto de a maior parte dos países recomendar uma distância menor, seguindo, aliás, as recoemdações da Organização Mundial de Saúde (OMS), que aponta para um afastamento social de "pelo menos um metro".

As conclusões do estudo agora divulgado sustentam que manter uma distância social superior a um metro reduz as possibilidades de infeção para 3%, uma percentagem que sobe para os 13% se a distância guardada se ficar por um metro.

O estudo "é o primeiro a sintetizar toda a informação da Covid-19, SARS e MERS [outros coronavírus] e dar a melhor perspetiva possível para o melhor desempenho destas práticas", sublinhou Holger Schunemann, da Universidade McCaster no Canadá, um dos coordenadores do estudo. "Os governos e as autoridades de saúde pública podem usar estes resultados para aconselhar claramente a comunidade sobre o que fazer", concluiu.

Citada pelo The Guardian, Linda Bauld, docente de saúde pública na universidade de Edimburgo (que não esteve envolvida nesta investigação), defende que a conclusão mais importante deste estudo é a de que "a distância social importa. Tem havido muitas queixas de que a distância imposta no Reino Unido é excessiva, mas este estudo vem dar-lhe suporte".

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