Rebeldes sob cerco em Ghouta

Quatro grupos estão entrincheirados em Ghouta, entre organizações sunitas e islamitas, além dos últimos militantes do Estado Islâmico presentes numa importante área urbana. Estão cercados há duas semanas.

Jaysh al-Islam ou o Exército do Islão

É uma aliança de grupos ativa na província onde se situa Damasco e, em particular, na região de Ghouta. O seu fundador, Zahran Aloush, foi morto num ataque da força aérea síria em 2015, mas antes disso conseguiu consolidar o Jaysh al-Islam numa força de combate eficaz. O principal objetivo é o derrube do regime de Bashar al-Assad e a criação de uma república islâmica, baseada na sharia. Mobiliza neste momento um importante número de efetivos na frente de combate de Ghouta , sendo dirigido por Essam al-Buwaydhani. É considerado o principal grupo que se opõe às forças do regime de Assad nesta área. Foi fundado em 2013. Segundo o Projeto para a Síria da Universidade de Stanford, tem ligações à Arábia Saudita (o que o grupo nega) e também à Turquia. Seria financiado por estes países e uma das finalidades da sua criação, ainda segundo a mesma análise, seria a de servir de contrapeso à influência da Al-Qaeda na época, então uma força importante na Síria.

Faylaq al-Rahman ou a Legião de Al-Rahman

É o segundo principal grupo a atuar na região de Damasco e dispõe também de importantes efetivos na área. Integra o Exército Sírio Livre e é uma das organizações de combatentes mais antigas, tendo sido fundada em 2011, ano em que se iniciou a guerra civil. Ao contrário do Jaysh al-Islam, não advoga a instauração de um regime islâmico na Síria. Segundo fontes convergentes, receberá armamento americano através do Qatar, um dos Estados do Golfo que se têm envolvido no conflito desde o início. Como sucede noutros pontos da Síria, os grupos também se antagonizam entre si e, no caso da Legião de Al-Rahman, esta organização tem combatido o Jaysh al-Islam. Os combates foram particularmente mortíferos no ano transato, o que contribuiu para enfraquecer as fileiras de ambos os grupos. Os observadores estimam que este desenvolvimento contribuiu para acelerar a ofensiva dos militares do regime de Damasco. A Faylaq al-Rahman bem como o Jaysh al-Islam são duas das organizações que pagam aos combatentes e apoiam as suas famílias.

O Movimento Harakat Nour al-Din al-Zenki

Resulta da fusão do grupo com este nome com o Movimento Islâmico dos Homens Livres do Levante (= Síria), que sucedeu no início do mês passado. Ambas as organizações defendem a instauração de um Estado baseado na lei islâmica. A fusão dos dois grupos reforçou o seu poder de combate, já que o Movimento Islâmico é conhecido por deter armamento pesado, como tanques e artilharia, capturado nos primeiros anos em combates com o exército sírio ou em assaltos a bases militares. Este segundo grupo é apoiado pela Turquia, Arábia Saudita e Qatar. Antes da fusão, o Nour al-Din al-Zenki tornou-se tristemente conhecido ao ser divulgado um vídeo em que militantes seus são vistos a decapitarem um adolescente.

Organização para a Libertação do Levante

A Organização para a Libertação do Levante, ou Hayat Tahrir al-Sham, resulta da união da ex-Frente Al Nusra, que passou a designar-se Jabhat Fateh al-Sham após distanciar-se da Al-Qaeda em 2016, com quatro pequenos grupos islamitas. Tem combatentes em Ghouta, mas em pequeno número. Damasco não admite qualquer negociação com eles, continuando a considerá-los sob a orientação da Al-Qaeda. É dirigido por Hasim al-Sheikh (também conhecido como Abu Jabr). Ao longo de 2017, procurou reinventar-se com um discurso nacionalista e menos baseado no extremismo islâmico. Mas continua a combater elementos dos restantes grupos da oposição. Quando foi anunciada a unificação destes grupos, Abu Jabr garantiu ter-se "iniciado nova etapa no curso da nossa abençoada revolução".

Os últimos combatentes do Estado Islâmico

Elementos do Estado Islâmico controlam uma pequena zona na região de Ghouta. Constituem a derradeira presença de militantes deste grupo numa importante área urbana da Síria. Os dados conhecidos sugerem que não serão mais de poucas centenas em linha com o declínio generalizado desta organização terrorista na Síria. Damasco recusa qualquer negociação com estes elementos.

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