Rapto de 11 crianças no Novo México relacionado com cerimónias de exorcismo

Os cinco adultos tinham fugido com as 11 crianças em novembro. Familiares das crianças encontradas do Novo México acreditam que havia ali cerimónias de exorcismo. Um menino de quatro anos continua desaparecido

A família das 11 crianças que foram encontradas esta semana escondidas num complexo rutal e islado perto de Taos, no Novo México, EUA, subnutridas e mal tratadas, acredita que elas foram raptadas para participarem em cerimónias de exorcismos.

As crianças, com idades entre o 1 e os 15 anos, foram entregues à Segurança Social. "Estavam magras, com as costelas salientes, estavam muito sujas e muito assustadas", disse o cherife de Taos, Jerry Hofrefe. Os cinco adultos eram todos pais, tios ou tias das crianças e foram imediatamente presos e acusados de abuso infantil. Os dois homens, Siraj Ibn Wahhaj e Lucan Morten, são cunhados e enfrentam acusações adicionais de rapto de menores e dar abrigo a um fugitivo da polícia.

Um familiar contou ao The Guardian que os cinco adultos envolvidos no caso viviam na zona de Atlanta mas, quando se acentuaram as suas crenças em fenómenos sobrenaturais, começaram a afastar-se da família e dos amigos, vivendo cada vez mais isolados. "Penso que isso os fez perder a razão e foi por isso que fugiram", afirmou esse familiar, que prefere manter o anonimato. A fuga aconteceu em novembro. O alerta foi dado pela mãe de Abdul-Ghani Wahhaj, que fez quatro anos na segunda-feira. O menino, que vivia em Clayton County, Georgia, tinha ido ao parque com o pai, Siraj Ibn Wahhaj, e nunca mais voltou a casa. A mãe denunciou-o nas redes sociais e acusou-o de rapto.

O rapaz tem problemas físicos e mentais e precisa de cuidados médicos permanentes. Preocupada, Hakima Ramzi, a mãe de Abdul, foi à polícia fazer queixa do desaparecimento. Nessa queixa, Hakima acusa o pai de querer fazer um exorcismo no filho para expulsar os demónios que ele acreditava que o possuíam. Porém, agora, à CNN, a mãe diz que se tratou de um erro de tradução. O que o pai queria era fazer uma "ruqya" - uma prática islâmica que envolve uma oração e ajuda o corpo a lidar com a doença. "Não é um exorcismo. Ele só queria rezar para ajudar Abdul-Ghani a melhorar", disse a mãe. Mas o resto da família está convencida que se tratava mesmo de exorcismo.

Apesar de não ter havido mais nenhuma queixa na polícia, rapidamente se percebeu que este não era um mero caso de um pai que rapta o filho, uma vez que várias pessoas da mesma família desapareceram na mesma altura:

Os cinco adultos envolvidos são Siraj Ibn Wahha, de 39 anos; a sua irmã Sunbhanah e o marido desta, Lucan Morten; uma outra irmã, Hurah; e a sua mulher, Jany. Siraj, Sunbhanah e Hujrah são filhos de Imam Siraj Wahhaj, líder da Muslim Aliance of North America e responsável pela mequista de Brooklyn, em Nova Iorque. Jany costumava trabalhar com ele em Brookyn antes de se casar com Siraj e se mudar para a Georgia, em 2014.

Infelizmente, Abdul não estava naquela casa no Novo México e a busca continua. "Estou a fazer o possível por continuar confiante e optimista", disse o familiar ao The Guardian. "Tenho de fazê-lo, por ele e pela mãe. Tem sido muito duro vê-la sofrer durante todos estes meses." No entanto, a polícia teme que os restos mortais de uma criança encontrados no local possam pertencer a Abdul-Ghani Wahhaj.

O local onde a família vivia não tinha quaisquer condições de higiene e havia pouquíssima comida, mas a polícia encontrou uma enorme quantidade de armas e munições. As investigações continuam.

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