Raptada em bebé reencontra a família 40 anos depois

Adriana é a 126.ª pessoas encontrada graças a à associação Avós da Praça de Maio

Chama-se Adriana e tem 40 anos. Tantos quantos aqueles que esteve, sem saber, separada da família biológica. Esta argentina reencontrou os familiares esta terça-feira, alguns meses depois de ter descoberto que fora sequestrada e que aqueles que conheceu como pais não eram, afinal, pais biológicos.

Adriana (pediu para ser identificada sem apelido) é a 126.ª criança encontrada graças à ação da associação Avós da Praça de Maio, que tem o objetivo de localizar todas as crianças raptadas durante a ditadura militar que vigorou na Argentina entre 1975 e 1983 e promover o seu reencontro com as verdadeiras famílias.

Esta mulher descobriu que não era filha biológica dos pais, depois de estes terem morrido, quando um familiar lhe contou a verdade. Decidiu então averiguar as suas origens. "Eu descobri num sábado e na segunda-feira já tinha procurado as Avós [da Praça de Maio]", disse esta terça-feira Adriana numa conferência de imprensa. "Queria saber se era filha de pessoas que desapareceram, mais do que qualquer coisa por causa da minha data de nascimento", acrescentou, numa referência ao período em que vigorou o regime militar que sequestrou crianças de ativistas de esquerda.

Adriana realizou testes de ADN e esperou. Mais tempo do que contava - cerca de quatro - e até já acreditava que tinha sido abandonada. Mas na segunda-feira, chegaram as notícias.

Era filha de Violeta Ortolani e Edgardo Garnier. A mãe foi detida quando estava grávida de oito meses. Adriana nasceu em janeiro de 1977 em cativeiro e um mês depois foi o pai detido quando procurava a companheira e filha. Nunca mais foram vistos, mas a avó paterna de Adriana nunca desistiu de encontrá-la.

Ainda não se conheceram pessoalmente, mas já falaram por telefone. "Tenho uma família bonita. Tenho uma avó! Não consigo acreditar, com 40 anos tenho uma avó e ontem pude falar com ela. É genial, já a amo. É linda por dentro e por fora", comentou Adriana.

A associação Avós da Praça de Maio procura outras 300 pessoas, filhos de presos políticos.

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