Rajoy prevê que novo governo seja votado em agosto e continua sem apoios 

Rajoy não conta com apoios suficientes para ser investido nem pela maioria absoluta nem pela maioria simples dos deputados no parlamento

Mariano Rajoy indicou hoje que prevê sujeitar-se à votação de investidura no Congresso dos Deputados espanhol a 3 de agosto e que, se não tiver maioria absoluta, dois dias depois haverá segunda votação que só requer maioria simples.

O presidente do governo de gestão espanhol fez estas revelações no pátio interior do parlamento a um grupo de jornalistas com quem conversou informalmente esta tarde.

Mariano Rajoy prevê que o Congresso dos Deputados tenha a sua primeira sessão a 2 de agosto, data em que começariam a contar os dois meses, no fim dos quais, em caso de fracasso, o rei de Espanha seria obrigado a marcar eleições, as quais, neste caso, teriam de se realizar no domingo 27 de novembro.

Neste momento, Rajoy não conta com os apoios suficientes para ser investido nem pela maioria (primeira votação) nem pela maioria simples (segunda) dos 350 deputados com assento parlamentar visto que só tem confirmado os 137 do seu partido, PP (Partido Popular, de direita) e a abstenção dos 32 do Ciudadanos, mas apenas na segunda votação.

Mariano Rajoy tem até 2 de agosto para encontrar os apoios que ainda não tem, depois de hoje ter encerrado a ronda de conversações que teve com todos os líderes partidários espanhóis.

O primeiro-ministro espanhol tinha garantido a meio do dia, numa conferência de imprensa, que aceitará se o rei o convidar a formar governo, mas se souber que será rejeitado, abrirá um período de reflexão com outros partidos para uma encontrar uma solução.

"Eu quero governar, tomar decisões, tenho muito claro o que vou fazer, vou continuar a batalhar para convencer quem quiser deixar-se convencer. Estou disposto a subir as mangas e governar sejam quais forem as circunstâncias", sublinhou o chefe do Governo espanhol em funções.

As declarações de Mariano Rajoy foram proferidas após uma reunião no parlamento espanhol com o líder do PSOE, Pedro Sánchez.

O chefe do executivo de gestão indicou que Sánchez o informou que os socialistas votarão contra a sua eventual investidura, mas disse também que continua a acreditar que os contactos que ainda tem pela frente resultarão no sucesso da sua candidatura.

O PP foi o partido mais votado nas eleições de 26 de junho, com 137 deputados, mais 14 que nas legislativas de dezembro, mas longe dos 176 mandatos que dão a maioria absoluta no congresso espanhol.

O PSOE ficou em segundo lugar, com 85 assentos (90 em dezembro), enquanto a aliança de esquerda Unidos Podemos (uma aliança entre partidos de extrema esquerda que inclui o Podemos) ficou em terceiro e elegeu 71 deputados, com o Ciudadanos a conseguir 32 assentos.

Os membros das novas Cortes espanholas (Congresso de Deputados e Senado) tomam posse a 19 de julho.

Poucos dias depois da constituição das duas câmaras, mas sem prazo definido, o rei de Espanha, Filipe VI, iniciará as consultas com os partidos para, em seguida, fazer uma proposta de candidato a assumir a presidência do governo.

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