Quis derrubar Obiang e agora trabalha para ele

Simon Mann é a única testemunha de Teodoro Nguema Obiang, filho do presidente africano, que está ser julgado

Simon Mann é um antigo comando britânico, estudante do elitista Eton College, que se tornou mercenário que se tornou conhecido por dirigir um golpe de Estado falhado em 2004 contra Teodoro Obiang, que preside aos destinos da Guiné Equatorial desde 1979. Mas as coisas mudam e acabou por ser contratado pelo líder africano para controlar a oposição guineense no estrangeiro, conforme contou esta semana num tribunal em Paris onde Teodoro Nguema Obiang, o filho do presidente e ele próprio vice-presidente da Guiné Equatorial está a ser julgado por corrupção, branqueamento, desvio de fundos públicos e abuso de confiança.

O britânico, de 65 anos, é única testemunha apresentada pela defesa de Nguema Obiang e a sua presença surpreendeu as autoridades francesas, tendo em conta o passado conhecido entre Mann e o presidente guineense. Mann foi detido em 2004 no Zimbabué quando, com outros 69 mercenários, se dirigia para a Guiné Equatorial com a missão de derrubar o presidente.

Cumpriu pena de prisão no Zimbabué durante quatro anos, sendo depois extraditado para a Guiné Equatorial, onde foi condenado a 34 anos de prisão. No entanto, em 2009, Obiang concedeu-lhe um perdão presidencial.

As suas memórias, intituladas Cry Havoc, foram publicadas em 2011, mas o seu conteúdo foi censurado pelos advogados do governo britânico, levando Mann a dizer que 20% da sua história tinha ficado por contar. Em maio, foi noticiado que iria publicar um thriller ao estilo de James Bond que escreveu nos seus anos de prisão para manter a sanidade e manteve escondido. "Queria escrever para o meu filho Freddie, na altura com 13 anos, e cheguei à conclusão que ele quereria ler algo mais adulto", contou ao The Guardian.

De acordo com o seu depoimento desta semana, dois anos depois da sua libertação começou a trabalhar para o governo, vigiando a oposição no estrangeiro de forma a garantir a segurança do presidente e evitar que seja alvo de um golpe de Estado. Mann referiu ainda que o presidente guineense lhe tinha pedido para testemunhar a favor do filho e que lhe tinha pagado a viagem para Paris e a estada na capital francesa.

Mas surpreendentemente o resto do seu depoimento foi dedicado a falar sobre o golpe de Estado falhado no qual participou e não nos factos dos quais Teodoro Nguema Obiang é acusado. Voltou a implicar Severo Moto, um dos opositores guineenses mais ativos, garantindo que se reuniu com ele quatro vezes em Madrid. E voltou a a falar no envolvimento dos governos de Espanha, Reino Unido e África do Sul e da participação de Mark Thatcher, filho da ex-primeira-ministra britânica. Este último já admitiu ser amigo Simon Mann, mas nega envolvimento no golpe de Estado falhado.

No mesmo depoimento, Mann afirmou ainda que o milionário norte-americano George Soros conspirou para derrubar o presidente da Guiné Equatorial em 2011, admitindo, no entanto, não ter provas do plano para o golpe de Estado. O mercenário britânico disse que em 2011 avisou Obiang que estava em preparação um golpe de Estado planeado por George Soros, que podia acontecer "de qualquer maneira e de qualquer forma, incluindo legal".

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