Quenianos nas ruas contra proibição de manifestações

Oposição ao presidente Kenyatta promete desobedecer à ordem do governo e continua a exigir demissões na comissão eleitoral

O governo queniano proibiu na quinta-feira manifestações nos centros de Nairobi, Kisumu e Mombaça, locais que têm acolhido protestos nos últimos dias contra a comissão eleitoral. Mas o porta-voz do líder da oposição pôs em causa a medida e prometeu uma resposta, já hoje, nas ruas.

"Devido à ameaça clara, atual e iminente à paz e ordem públicas, como testemunhámos nas recentes manifestações, o governo notifica o público que de momento não vamos permitir manifestações nos centros de Nairobi, Mombaça e Kisumu", anunciou o secretário do Interior interino, Fred Matiangi. O governante disse ainda que o dirigente da coligação partidária de centro-esquerda NASA Norman Magaya vai ser alvo de um processo devido à violência registada nos protestos. No entanto, a NASA, de Raila Odinga - candidato que desistiu de participar na repetição das eleições presidenciais - promete sair para as ruas a partir de hoje e depois todos os dias a partir de segunda-feira, com o mesmo objetivo: a demissão da comissão eleitoral. "Os protestos estão protegidos pela declaração de direitos na Constituição. Nós não vemos os protestos como um favor que é concedido pelo Estado", afirmou Dennis Onyango, porta-voz de Raila Odinga, que se encontra em Inglaterra.

Neste clima de tensão crescente, a comissão eleitoral decidiu que concorrem às eleições de dia 26 todos os que se apresentaram no ato eleitoral de agosto (que foi anulado pelo Supremo Tribunal devido a "ilegalidades e irregularidades"). Ou seja, o nome de Raila Odinga deverá constar no boletim de voto. Para esta solução terá contribuído o facto de um tribunal ter dado provimento ao recurso do candidato Ekuru Aukot que, como os restantes candidatos à exceção do presidente Uhuru Kenyatta e de Odinga, não obteve mais de 1% dos votos.

Apesar deste anúncio da comissão eleitoral, são ainda muitas as dúvidas a dissipar, tendo em conta as emendas eleitorais aprovadas no Parlamento na quarta-feira e uma possível intervenção do Supremo Tribunal.

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