Quénia vai mesmo a eleições e clima de tensão sobe

Odinga disse que a sua coligação é agora um movimento de resistência nacional. Repetição da votação realiza-se hoje

O líder da oposição queniana, Raila Odinga, apelou ontem aos seus apoiantes para que boicotem a repetição das presidenciais marcada para hoje e anunciou que o seu movimento vai ser transformado num movimento de resistência nacional contra o governo. "A partir de hoje estamos a transformar a coligação NASA num movimento de resistência", declarou o ex-candidato presidencial perante milhares de apoiantes reunidos num parque no centro de Nairobi, a capital do país. Odinga acrescentou querer a realização de novas eleições num prazo de 90 dias. "Aconselhamos aos quenianos que prezam a democracia e a justiça para levarem a cabo vigílias e orações longe das assembleias de voto ou simplesmente fiquem em casa."

Além da "campanha nacional de desafio à autoridade do governo ilegítimo e a não cooperação com todos os seus órgãos", este movimento de resistência tem também como objetivo "boicotar os bens e serviços oferecidos por negócios em benefício dos quais a ditadura está a ser estabelecida".

O líder da oposição avançou ainda que a NASA "convocará uma assembleia popular com o objetivo de traçar o nosso caminho de volta ao constitucionalismo e à democracia".

A repetição das eleições presidenciais foi ordenada pelo Supremo Tribunal depois de juízes terem anulado os resultados da votação de 8 de agosto e que teve como candidatos o atual presidente, Uhuru Kenyatta, e Raila Odinga. Depois de já ter anunciado que não seria candidato, o líder da oposição apelou na segunda-feira ao boicote da repetição que se realiza hoje, considerando que a votação "não serve os interesses do país".

O Supremo deveria ter apreciado um caso que tencionava adiar a repetição das presidenciais, mas não teve condições para o fazer devido à ausência de cinco dos seus sete juízes. Um advogado da oposição responsabilizou o chefe do Estado pela ausência de quórum. James Orengo, citado pela AP, afirmou que Kenyatta conseguiu os intentos ao declarar quarta e quinta-feira feriados nacionais, decisão que, defendeu, "não foi tomada por acaso".

Minutos depois de o presidente do Supremo ter anunciado esta falta de quórum e que o caso não seria apreciado, centenas de apoiantes de Odinga saíram para as ruas de Kisumu, o bastião do líder da oposição. A polícia de choque usou gás lacrimogéneo para os dispersar. "Se o governo subverter a soberana vontade do povo então o povo tem o direito de revoltar-se contra o governo", declarou ontem o governador de Kisumu, Anyang Nyong"o, um forte apoiante de Odinga.

Na terça-feira, o presidente anunciou que haverá um forte destacamento de forças de segurança país fora para garantir a realização das eleições sem interferências e avisou que haverá "consequências terríveis" para quem perturbar a votação. "Existem algumas pessoas a ameaçar-nos. Se não querem votar deixem-nas ficar em casa. Quero garantir-vos que não haverá violência, mas se o tentarem saberão que existe um governo", declarou Uhuru Kenyatta numa ação de campanha em Nairobi.

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