Quem é o milionário a quem Marcelo aperta a mão na Ilha do Príncipe

Marcelo Rebelo de Sousa está na ilha do Príncipe a propósito das comemorações do centenário da validação da Teoria da Relatividade Geral de Einstein. Por lá, também está o "homem da Lua", Mark Shuttleworth, o primeiro africano a ir ao Espaço e um dos responsáveis pelo desenvolvimento sustentável da ilha.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, aterrou esta terça-feira na ilha do Príncipe, e protagonizou um momento inédito, nunca um avião tinha aterrado de noite no pequeno aeroporto da ilha. Mas há mais, Marcelo é o 4º Presidente português a visitar a ilha, mas o primeiro a pernoitar.

A visita de Estado deve-se à comemoração dos 100 anos da comprovação da Teoria da Relatividade Geral de Einstein. Foi através da observação do eclipse solar, a 29 de maio de 1919, uma na ilha são-tomense e a outra em Sobral, no Ceará, que duas equipas de astrónomos conseguiram comprovar a teoria do físico alemão Albert Einstein. Um mês de trabalho que mudou para sempre a ciência.

Durante estes dias a ilha está em festa e a presença de Marcelo Rebelo de Sousa vem aumentar a agitação. O Presidente participou na videoconferência para o local da outra observação, no Brasil, na inauguração do museu Espaço Ciência, assistiu a representações culturais tradicionais, do teatro à música.

Na Roça Sundy, a maior da ilha e onde se concentram as comemorações, o Presidente português ainda protagonizou outro momento marcante. Esteve com o sul-africano Mark Shuttleworth, o primeiro africano a ir ao Espaço, hoje administrador da Here Be Dragons (HBD) e responsável por grande parte do investimento no desenvolvimento sustentável da ilha, seja no turismo ou na conservação ambiental.

O "homem da lua" que nunca passou do Espaço

Mundialmente é apelidado de "afronauta", mas no Príncipe é conhecido como o "homem da Lua". Em 2011 descobriu e apaixonou-se pela ilha quase esquecida no mapa, assumindo desde essa altura o seu desenvolvimento sustentável em colaboração com o governo regional. É o "patrão" de quase toda a população: tem três hotéis na ilha (Bom Bom Principe Island, Hotel Roça Sundy e o Sundy Praia Lodge), um projeto de reabilitação da agricultura orgânica, contribui para o desenvolvimento das infraestruturas, como o aeroporto e estradas, e reabilita edifícios na cidade de Santo António. Numa ilha com pouco mais de 7 mil habitantes, é difícil não trabalhar para Mark - nem que seja indiretamente.
Mas a sua ideia nunca foi fazer do Príncipe uma ilha como as outras. Antes pelo contrário, esta tornou-se um exemplo mundial, desde que, em 2012, a UNESCO a classificou como Reserva Mundial da Biosfera. É na sustentabilidade, progresso e ecoturismo que tem sido a aposta da sua empresa HBD, garantindo sempre a sua conservação ambiental através de uma fundação, que desde 2017 é independente. A Fundação Príncipe continua a ter financiamento de Mark, mas já não depende só de si.

Apesar do milionário, a fragilidade mantém-se na ilha

Em 2002, com apenas 28 anos, Shuttleworth tornou-se o primeiro africano - e o segundo turista - a ir ao Espaço, na missão TM-34 a bordo da nave Soyuz - de origem soviética. Mark enriqueceu numa altura em que a internet estava a crescer. Em 1996, enquanto estudava finanças e tecnologias da informação na Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, fundou a Thawte. Foi uma das empresas pioneiras a trabalhar na segurança de transações na internet. Três anos depois, segundo a TechRepublic, vendeu-a à gigante americana Verisign por mais de 500 milhões de euros. O primeiro «chuto para a Lua» que o tornou milionário.

Mark Shuttleworth vai uma vez por ano à ilha. Apesar destes anos de investimento, há coisas que não mudam. A energia do Príncipe vem de barco, semanalmente, de São Tomé em forma de combustível e só depois convertida, por geradores, em eletricidade. Mas nem sempre a travessia é cumprida. Além das avarias, os acidentes acontecem. No mês passado, foi noticiado o naufrágio de uma das embarcações que fazia ligação entre as duas ilhas, tendo sido apontadas 11 pessoas como desaparecidas. Depois da tragédia, o caos instalou-se na ilha durante duas semanas. Miguel Madeira, português a viver na ilha, conta ao DN como foi assim que o combustível começou a faltar. "Se não há luz, não há água. Não há luz, não há pão. Não há luz, não há nada. Não havia sequer carros a andar na rua". Neste momento, foi retomada a normalidade e, apesar do pânico recente, "a população está eufórica com a visita de Marcelo Rebelo de Sousa". No entanto, tudo continuará igual: o barco chegará de São Tomé, mas só se tudo correr bem.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG