Qatar denuncia na ONU "cerco ilegal" e tentativa de imposição de "tutela"

O Qatar é acusado de apoiar grupos extremistas e de uma sistemática aproximação ao Irão, o grande rival regional de Riade, capital da Arábia Saudita, que lidera as monarquias árabes do Golfo

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Qatar, xeque Mohamed Abderrahmane Al-Thani, denunciou esta segunda-feira na ONU em Genebra o "cerco ilegal" imposto por diversos países, e o desejo de colocarem o pequeno reino do Golfo "sob tutela".

Numa intervenção perante o Conselho de Direitos Humanos da ONU, o chefe da diplomacia do Qatar denunciou um "cerco ilegal que viola claramente o direito internacional".

"Não é um segredo que os verdadeiros motivos do cerco e da rutura diplomática com o Estado do Qatar não se destinam a lutar contra o terrorismo (...) mas são antes uma tentativa de colocar o Qatar sob tutela" e "interferir na sua política externa", declarou.

O Qatar "não pode tolerar esta situação", assegurou.

A latente crise no Golfo teve origem a 05 de junho, quando três países da região (Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Bahrein) e ainda o Egito romperam relações diplomáticas com Doha.

Estes países acusam o Qatar de apoiar os grupos extremistas e de uma sistemática aproximação ao Irão, o grande rival regional de Riade, que lidera as monarquias árabes do Golfo.

Os quatro países também impuseram ao pequeno emirado, rico em gás natural, sanções sem precedentes, designadamente um bloqueio das vias de acesso marítimo, aéreas e terrestres.

Com uma superfície de 11.581 quilómetros quadrados (um terço do Alentejo), o Qatar apenas faz fronteira a sul com a Arábia Saudita, estando o restante território rodeado pelo Golfo Pérsico, onde um braço deste mar o separa da ilha do Bahrein, um dos Estados que alinhou com Riade no bloqueio.

O Qatar nega qualquer apoio a grupos extremistas e acusa esses países de pretenderem comprometer a sua soberania.

No seu discurso desta segunda-feira, o chefe da diplomacia de Doha sublinhou a "profunda gratidão" do Qatar face à mediação do Kuwait.

O Kuwait impôs-se como mediador natural na crise, fazendo recurso à sua longa tradição diplomática.

O emir do Kuwait, recebido em 07 de setembro pelo Presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca, sugeriu que o Qatar teria aceitado as 13 exigências dos seus adversários para um restabelecimento das relações, e que a mediação kuwaitiana tinha hipóteses em obter sucesso. No entanto, os quatro países negaram qualquer progresso.

O ultimato dos quatro Estados inclui o encerramento da televisão por satélite Al-Jazira e uma revisão das relações de Doha com Teerão.

No sábado, a Arábia Saudita anunciou que o Qatar estava preparado para o diálogo para resolver o conflito, mas decidiu excluir uma solução rápida da crise ao exigir uma confirmação de Doha sobre a sua disponibilidade em negociar.

O chefe da diplomacia do Qatar apelou esta segunda-feira ao diálogo, que considerou "a melhor solução para resolver os conflitos".

"Estamos prontos a dialogar, estamos prontos a envolver-nos" se o diálogo "for baseado em princípios que não violem o direito internacional e respeitem a soberania de cada um", disse, no decurso de uma conferência de imprensa.

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