Puigdemont: "Se não fizermos o referendo é porque fracassámos"

Líder do governo catalão insistiu no domingo que vai realizar até final de setembro um novo referendo sobre a independência. Hoje estará em Bruxelas num evento que PP critica

Com ou sem pacto com Espanha, haverá um referendo sobre a independência da Catalunha até final de setembro, defendeu o presidente do governo catalão, Carles Puigdemont. "Se não fizermos o referendo é porque fracassámos", disse na estreia do programa Jo Pregunto (Eu Pergunto) da TV3, no qual respondeu no domingo à noite em direto às questões de uma dúzia de catalães. Puigdemont indicou ainda ter apoios internacionais para o processo. Hoje, estará em Bruxelas para falar do referendo, num evento criticado pelo Partido Popular (PP).

"Todos entendem que o referendo é a ferramenta", afirmou Puigdemont, explicando que os interlocutores europeus não percebem o que Espanha está a fazer. Admitindo que tanto ele como o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, estão a tentar combinar um encontro para discutir o problema, o líder catalão deixa contudo claro: "Caso não haja um pacto far-se-á o referendo. Na Europa, estão todos avisados."

Hoje às 19.00 em Bruxelas (18.00 em Lisboa), Puigdemont explicará o processo, ao lado do responsável pela Economia da Catalunha, Oriol Junqueras, e o das Relações Internacionais, Raül Romeva, numa conferência organizada por vários eurodeputados catalães numa sala do Parlamento Europeu. Esteban González Pons, eurodeputado do PP, criticou o evento, dizendo que se realiza nessa sala porque os organizadores "a alugaram", mas também podia ser "num café", já que não se trata "de um ato institucional". Contudo, o chefe da diplomacia espanhola, Alfonso Dastis, considerou "legítimo" que Puigdemont queira falar do tema na Europa, falando no direito à "liberdade de expressão".

Segundo Pons, o processo independentista só interessa à extrema-direita europeia. "Em Bruxelas, cada vez se entende menos a atitude de Carles Puigdemont. Vê-se como um novo brexit a Espanha e à União Europeia. Por isso tem cada vez mais alento da extrema-direita, de Nigel Farage [dos independentistas britânicos do UKIP] e de Marine Le Pen [da Frente Nacional francesa]", afirmou aos jornalistas na sede do PP, em Madrid.

Na mensagem de Ano Novo, Puigdemont tinha já dito que o referendo era para avançar até setembro. O objetivo, referiu, era ter luz verde do executivo, tal como aconteceu na Escócia em 2014 (o não à independência viria a ganhar com 55,3%). Rajoy respondeu ao líder do governo catalão como sempre, dizendo que isso será impossível: "O governo não vai autorizar nenhum referendo na Catalunha para liquidar a soberania nacional."

Puigdemont está há pouco mais de um ano à frente da Generalitat, tendo sucedido a Artur Mas. Apesar de os independentistas terem tido a maioria nas eleições de setembro de 2015 (apontadas como um plebiscito à independência), a coligação que Mas liderava não conseguia fazer governo sozinha e a Candidatura de Unidade Popular (CUP) só aceitava uma aliança após a sua partida. Desde então, já foi aprovado no Parlamento o "roteiro" para a independência, que sofreu entretanto alguns ajustes.

Questionado na televisão sobre as mudanças nesse "roteiro", Puigdemont respondeu que as coisas serão feitas "sem pressa" para ficarem bem. "Comprometi-me a fazê-lo e a fazê-lo bem", afirmou. "Tenho vindo a trabalhar para que este país [a Catalunha] tenha as condições legais de funcionamento e de democracia adequadas para fazer um Estado independente, com o apoio da maioria, preparando-o bem, não improvisando", referiu Carles Puigdemont, garantindo que as estruturas do Estado estarão prontas quando chegar a altura de declarar a independência da Catalunha.

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