Puigdemont renuncia e Sànchez será o candidato à presidência

Líder do Junts per Catalunya fala em decisão provisória, anunciando para os próximos dias uma reunião em Bruxelas com deputados por causa do seu Conselho da República

Carles Puigdemont anunciou ontem que renuncia de forma provisória à sua candidatura a presidente da Generalitat, dizendo que o Junts per Catalunya irá propor para o cargo Jordi Sànchez, o número dois da lista e em prisão preventiva há quatro meses. Este anúncio, feito através de um vídeo de 13,21 minutos, surge horas após o Parlament ter aprovado uma moção que denuncia a "destituição ilegal e ilegítima" de Puigdemont e reivindica o referendo de 1 de outubro.

"Hoje informei o presidente do Parlament [Roger Torrent] que de forma provisória não apresente a minha candidatura a ser investido presidente da Generalitat e pedi-lhe que se inicie o mais rapidamente possível a ronda de contactos entre os diferentes grupos parlamentares para proceder à eleição de um novo candidato para ser investido", indicou Puigdemont. "A única maneira de sair de um conflito político é a política. Cabe-nos a nós colocar a política onde outros colocam violência policial, judicial e económica", disse Puigdemont no vídeo, intitulado "Mensagem institucional do presidente da Generalitat da Catalunha".

Para o líder do Junts per Catalunya, "esta decisão fundamenta-se numa única razão: nas atuais condições esta é a forma de concordar com um novo governo. Um governo o mais rápido possível e que respeite o acordo e a vontade do povo da Catalunha: que as nossas instituições devem continuar a ser governadas pelo independentismo e não pelo utilitarismo do 155".

"Nenhuma motivação individual é indispensável para o nosso movimento. E sei que o caminho é comprido e está cheio de dificuldades. Agora Madrid não terá nenhuma desculpa para continuar com a ocupação das nossas instituições. Nenhuma desculpa para que Madrid ignore a nossa voz", prosseguiu o líder do Junts per Catalunya. E mencionou o chamado Conselho da República, a que presidirá a partir de Bruxelas, e "trabalhará em estreita colaboração com o governo" em Barcelona, adiantando que "nos próximos dias" convocará os deputados do Parlament para "uma reunião solene para poder impulsionar a nova etapa e estabelecer o Conselho da República para que este lidere o caminho até à independência efetiva".

Falando sobre o número dois da sua lista e agora candidato à investidura como presidente da Generalitat, Carles Puigdemont afirmou que Jordi Sànchez "provavelmente representa os valores de Junts per Catalunya como ninguém mais. E é um homem de paz. E um homem injustamente preso". "Obviamente que esta decisão não garante completamente o restabelecer da nossa autonomia, que foi gravemente atingida pelo autoritarismo do Estado. Mas nos dará a liberdade para poder empreender a próxima fase do caminho para a independência e a implantação da república catalã a partir de espaços mais livres e democráticos do que o atual Estado espanhol". Sànchez está em prisão preventiva desde 16 de outubro, tendo renunciado ao cargo de presidente da Associação Nacional Catalã um mês depois. Está acusado dos crimes de sedição e rebelião, correndo o risco de ficar inabilitado de exercer cargos públicos.

Sànchez reagiu no Twitter, dizendo que esta nomeação "é uma grande honra e uma enorme responsabilidade poder representar o povo da Catalunha". "O presidente Carles Puigdemont, o vice-presidente Oriol Junqueras e todos os conselheiros destituídos pelo 155 são o verdadeiro governo legítimo da Catalunha. Sempre com vocês", podia ler-se na mesma mensagem.

Puigdemont abordou também a sua situação na mensagem, anunciando que uma equipa de advogados apresentou uma queixa em seu nome contra o Estado espanhol junto do Comité de Direitos Humanos na ONU. "Que fique claro: não vou desistir, não vou renunciar, não me retirarei perante a ação ilegítima dos que perderam nas urnas. Nem perante a arbitrariedade daqueles que estão dispostos, dizem eles, a pagar o preço de abandonar o Estado de Direito e a justiça para defenderem a unidade da pátria. Tenho a plena confiança de que venceremos. E um dia, espero que em breve, poderei voltar à Catalunha como um homem livre".

Fontes da presidência do Parlament disseram à Europa Press que Roger Torrent dará início na próxima semana a uma nova ronda de contactos com todos os grupos parlamentares para propor um novo candidato à liderança da Generalitat. No final desta ronda de contactos, Roger Torrent proporá o nome de Jordi Sànchez, já que este será com toda a certeza o único candidato com votos suficientes para ser investido - Junts per Catalunya, ERC e CUP têm a maioria no Parlament. Sendo que esta última força independentista terá primeiro de submeter a decisão à votação dos seus órgãos internos.

Ontem, antes de ser conhecida a decisão de Puigdemont, Mariano Rajoy havia falado sobre a possibilidade deste ou Jordi Sànchez se apresentaram à investidura, classificando as duas hipóteses de "insanas". "O que têm de fazer é eleger uma pessoa que esteja em Espanha, que não esteja na prisão, nem tenha contas pendentes com a justiça e que cumpra a lei", disse o primeiro-ministro espanhol numa entrevista à Telecinco.

"Após mês e meio, Puigdemont assume que não vai ser presidente da Generalitat, algo que não teria sido possível sem a vontade do governo de usar todos os recursos à sua disposição para evitar esse gozo à legislação atual", reagiu o governo espanhol em comunicado, após a mensagem do líder catalão. "O governo considera que a Catalunha precisa de ter o quanto antes um presidente da Generalitat em condições de governar essa comunidade e atender devidamente à gestão dos assuntos que interessam aos cidadãos", prosseguiu a mensagem da Moncloa, sublinhando que continuarão a "garantir o respeito pela legalidade, inclusive para o uso correto do dinheiro público. Um fugitivo da justiça não vai viver à custa do erário público".

Inés Arrimadas, a líder do Ciudadanos na Catalunha, atribuiu a renúncia de Puigdemont ao plenário de ontem no Parlament, cuja realização foi forçada pelo seu partido. "Puigdemont já não conseguiu esticá-lo e teve que se retirar e dar um passo para o lado hoje, o dia do desbloqueio completo", disse Arrimadas em comunicado.

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