PSOE recusa proposta do Unidas Podemos para formar governo

Unidas Podemos de Pablo Iglesias propunha medidas que levariam até nove subidas de impostos e um diálogo bilateral, à margem das instituições espanholas, entre Madrid e o governo autónomo da Catalunha

O PSOE de Pedro Sánchez disse não ao Unidas Podemos de Pablo Iglesias, que esta manhã tinha apresentado uma nova proposta com várias alternativas para participar num governo de coligação com os socialistas.

"Agradecemos a proposta que, no que toca ao programa, é muito próxima de nós. No conteúdo, o documento conta com muitas das medidas referidas no discurso de investidura do candidato a primeiro-ministro. No entanto, não há nenhum avanço em relação à posição que o Unidas Podemos manteve desde o início", indicou o PSOE, em comunicado.

"Com o falhanço da investidura tornou-se evidente a falta de viabilidade de um governo de coligação", notou o PSOE, na sua resposta à proposta do Unidas Podemos intitulada "Proposta para retomar o diálogo". Os socialistas sublinham as "diferenças que ambas as formações têm em relação às questões de Estado, como é a crise de sobrevivência da Catalunha".

Na proposta do Unidas Podemos, que tem 106 páginas, constam medidas que levariam até nove subidas de impostos e à criação de uma mesa de partidos sobre a Catalunha, em paralelo com as instituições espanholas, com "mecanismos próprios de relação bilateral entre o governo e a Generalitat" com o objetivo de "desjudicializar o conflito político".

Ora, tal proposta, que coloca o governo espanhol a dialogar com o governo catalão em pé de igualdade, que classifica o que se passa na Catalunha como um conflito político, é totalmente inaceitável para Sánchez, que chegou ao poder com o apoio dos independentistas catalães mas também foi obrigado a eleições antecipadas pelos mesmos catalães. Venceu as legislativas antecipadas de 28 de abril, é certo, mas sem maioria. Falhou a investidura, por falta de apoios. O impasse prossegue.

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