PSOE aprova abstenção unânime mas haverá votos contra Rajoy

O Comité Federal dos socialistas decidiu que o partido irá abster-se na segunda votação de investidura do líder do PP. Impasse político deve terminar até ao próximo domingo

O aviso foi dado ontem pelo líder interino do PSOE, Javier Fernández: todos os 85 deputados socialistas terão de abster-se na segunda votação de investidura de Mariano Rajoy, de forma a permitir que este forme novo governo e termine o impasse político que se vive em Espanha há 309 dias. A decisão foi tomada ontem pelo Comité Federal do partido mas está longe de ser consensual, com muitos a garantirem que manterão o "não" ao líder do PP. Mas, contas feitas, basta que 11 deputados do PSOE se abstenham para que não sejam precisas novas eleições.

O Partido Socialista da Catalunha decide amanhã se mantém a oposição a um governo de Rajoy ou se os seus sete deputados seguirão o decidido ontem no Comité Federal do PSOE e opterão pela abstenção.

Mantendo o discurso da última semana, Miquel Iceta voltou a dizer ontem, na sua intervenção no Comité Federal, que continua a defender o "não" a um governo do PP e explicou que "o que nos horroriza mais" é que "acabamos por dar mais um argumento aos independentistas para que o continuem a ser". A abstenção "hipotecará a nossa posição política", sublinhou o recém-eleito líder do PSC, pedindo à liderança do PSOE para ser "sensível e compreensiva".

A presidente da Câmara de L"Hospitalet de Llobregat, na Catalunha, e até ontem secretária da mesa do Comité Federal, Núria Marín, foi ainda mais clara que Iceta. "Seremos coerentes com o nosso eleitorado. Os cidadãos não disseram "sim" a Mariano Rajoy e não seremos nós, com a nossa abstenção, que permitiremos que continue a liderar o governo", disse.

No entanto, segundo o El País, Susana Díaz, presidente da Andaluzia e um dos barões mais poderosos do partido, parece estar certa de que os deputados catalães se irão abster.

Também a líder do PSOE das Baleares afirmou que "a abstenção é um erro histórico", mas evitou pronunciar-se sobre se os deputados eleitos pela província acatarão a decisão de se absterem. Francina Armengol, uma apoiantes do ex-secretário-geral Pedro Sánchez, foi a única presidente autonómica a votar na reunião de ontem contra a abstenção, dizendo ter "votado em consciência".

A decisão dos deputados baleares só deverá ser tomada hoje , mas parecem não restar muitas dúvidas, pois o que Armengol não disse ontem de viva voz, escreveu no Twitter: "Continuaremos a ser coerentes. #NãoaoPP".

Existem outros deputados que, isoladamente, já assumiram o seu "não" a Rajoy, rompendo assim a disciplina de voto. Susana Sumelzo, eleita por Saragoça, garantiu que será uma delas. "Serei coerente com os meus princípios e com os eleitores. Assumi um compromisso e irei cumpri-lo #Não ao PP", escreveu a deputada no Twitter. Opinião partilhada por Margarita Robles, deputada eleita por Madrid, que goza o estatuto de independente.

A deputada da Galiza Rocío de Frutos, através das redes sociais, afirmou sentir "vergonha desta abstenção" e garantiu que irá votar "não, por todos os socialistas que lutam por um mundo melhor".

A grande incógnita é o sentido de voto do deputado Pedro Sánchez, secretário-geral do PSOE até ao passado dia 1 e o grande defensor do não a um governo de Rajoy. O ex-líder dos socialistas não marcou presença na reunião do Comité Federal, mas fez-se notar através de uma mensagem enigmática no Twitter publicada após a decisão do Comité Federal e na qual defende um "PSOE autónomo, afastado do PP". "Rapidamente chegará o momento em que a militância recuperará e reconstruirá o seu PSOE. Um PSOE autónomo, afastado do PP, no qual a base decide. Força", escreveu o ex-secretário-geral dos socialistas.

Possível expulsão

O Comité Federal do PSOE aprovou ontem, com 139 votos a favor e 96 contra, abster-se na segunda votação para a investidura de Mariano Rajoy e depois de mais de quatro horas de debate. Houve duas pessoas que não votaram.

No final da reunião, Javier Fernández, o líder interino do PSOE, deixou claro que a decisão tomada ontem é "um mandato imperativo do órgão máximo do partido entre congressos" e que "todo o grupo parlamentar deve abster-se". E que, por enquanto, não tem previsto "nenhum plano" para quem romper a disciplina de voto.

O artigo 78 dos estatutos do PSOE refere que "os deputados estão sujeitos à unidade de atuação e disciplina de voto" e que o desrespeito desta regra poderá levar à expulsão do grupo parlamentar.

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