PS lidera projecção do Parlamento Europeu. Se a eleição fosse hoje, elegia 10 deputados

A mais recente projeção do Parlamento Europeu para a configuração do futuro hemiciclo, divulgada esta manhã, confirma a tendência de fragmentação. A novidade surge em termos nacionais, com o PS a acentuar a liderança.

O Partido Socialista sobe ligeiramente nas intenções de voto. Os 39,2% que alcança agora seriam suficientes para eleger mais dois eurodeputados. Se as eleições europeias se realizassem hoje, o PS estaria representado por 10 deputados. Atualmente tem oito. O PSD regista uma subida mais acentuada, - de 23,4%, para 26,2% -, mas, de acordo com o relatório do Parlamento Europeu, que projeta a futura câmara de Estrasburgo, a partir de dados estatísticos, mantém o atual número de seis deputados.

Bloco de Esquerda, CDS e CDU alteram completamente as suas posições, relativamente à projeção do mês anterior. A CDU, que era o terceiro partido político nas preferências dos eleitores, seria agora o último a eleger, passando a contar apenas com um assento parlamentar, ao passo que a projeção de fevereiro apontava para três, como tem na atual legislatura. O Bloco passaria a contar com mais um deputado, ficando com dois, e o CDS conseguiria eleger dois deputados.

A partir daqui todos os lugares estão distribuídos, e a percentagem de 2,7% atribuída ao PAN, ou 1,7% da Aliança, não chegam para alcançar um lugar no Parlamento Europeu. A projeção aponta ainda para uma percentagem de 3,8% numa categoria para novas formações políticas, que designa como "outros".

No início de fevereiro, o PS recebia 38,5% das intenções de voto, e estava assim em condições eleger 9 deputados, ou seja, mais um do que atualmente. No caso do PSD, a projeção no início do mês apontava para 23,4%, o que possibilitaria a eleição de 6 deputados. A CDU, também deveria manter o atual número de deputados, caso se confirmem os 13,4% atribuídos pela projeção, lançada no início do mês. O Bloco continuaria a ocupar um assento parlamentar, por conquistar 7,5% das intenções de voto.

Europa

Em termos europeus, confirma-se a fragmentação política, que vinha sendo sugerida em relatórios anteriores. Os partidos do centro perdem força. E, entre aqueles de perfil europeísta, só a Aliança dos Democratas e Liberais pela (ALDE) ganham força, confirmando os 75, tal como era projetado em fevereiro. Atualmente tem 68 assentos.

O grupo dos Conservadores e Reformistas, - no qual se incluem alguns deputados britânicos, favoráveis do Brexit - volta a cair, ficando-se agora nos 46 deputados. Os Verdes também sobem, em relação ao mês passado, mas os 49 deputados que elegeriam, se as eleições fossem hoje, ficam abaixo do número atual de 52 deputados.

O grupo de Nigel Farage, - rosto do Brexit no Parlamento Europeu -, Europa da Liberdade e da Democracia Directa contraria o aumento do número de deputados apontado na anterior projeção, e de 43 deputados previstos, só elegeria 39. Atualmente tem 41. Já o grupo de Marine Le Pen, Europa das Nações e Liberdade mantém-se estável, com 59 deputados previstos, bastante acima dos 37 com que conta atualmente.

O número de assentos será ainda distribuído por uma percentagem de pequenos partidos e formações políticas, que apresentam uma tendência crescente. Atualmente, há 22 deputados sem grupo político no Parlamento Europeu. A anterior projeção apontava para os 58, e agora calcula-se que possam alcançar os 66 parlamentares eleitos.

Espanha

Aqui ao lado, o PSOE recolhe as preferências de 26,8%, suficientes para eleger 18 deputados. Logo atrás vem o PP, que não iria além dos 13 deputados, recolhendo agora 20%. Cidadãos elegeria 11 deputados, se as eleições fossem hoje. O VOX pode estrear-se no Parlamento Europeu com 7 parlamentares eleitos. E, numas eleições em que nove partidos políticos estão em condições de elegerem deputados, o conjunto das formações políticas defensoras da independência catalã perdem força na eurocâmara, elegendo apenas um deputado único. Atualmente têm dois.

França

Em França, Marine Le Pen aproxima-se do vencedor, continuando, ainda assim, em segundo lugar, com 19,4% das intenções de voto, que lhe permitem o reforço do número de deputados, passando de 15 para 19 assentos parlamentares. A República em Marcha de Emmanuel Macron, em coligação com o Movimento Democrata, continuam a ser os potenciais vencedores, com 23,5% das preferências, conquistando 24 deputados.

Alemanha

A CDU/CSU que já foi de Angela Merkel continua a figurar como a formação preferida dos eleitores alemães, estando atualmente em condições para eleger 34 deputados. Os Verdes aparecem em segundo lugar com a possibilidade de eleger 20 membros para o Parlamento Europeu. Saliente-se que o movimento nacionalista eurocético, AfD está em condições de eleger 10 deputados.

Itália

Em Itália vence o euroceticismo, com o partido de extrema-direita do atual ministro dos Assuntos Internos, Mateo Salvini, LEGA e o Movimento 5 Estrelas fundado em 2009 pelo palhaço/comediante Beppe Grillo lideram as intenções de voto. O partido anti-imigração LEGA, seria o vencedor, destacando-se com um terço das intenções de voto, que lhe permitem a eleição de 28 deputados. O Movimento 5 Estrelas está em condições de eleger 21 eurodeputados, com 24,3% das preferências.

Recolha de dados

O Parlamento esclarece que "a Unidade de Acompanhamento da Opinião Pública está constantemente a acompanhar a evolução do contexto político nacional em todos os Estados-Membros da UE", considerando "importante ter uma visão geral sobre o estado do panorama político em toda a UE e uma visão clara da filiação política dos partidos políticos nacionais, no quadro do Parlamento Europeu".

Para a organização dos dados, o Parlamento Europeu recorre a dados publicamente disponíveis a nível nacional, utilizando, no caso deste relatório, os inquéritos sobre as intenções de voto para as eleições europeias, disponíveis em 11 Estados-Membros. "Nos países onde atualmente não há inquéritos de intenção de voto recentes, para as eleições europeias, são usadas as intenções de voto nacionais".

"Apesar de não ser o ideal, fornece a melhor aproximação disponível da situação política dos países em causa", refere o Parlamento, sobre a metodologia utilizada, frisando que, "em qualquer caso, os cálculos do número de assentos, devem ser entendidos como um instantâneo da atual situação política do país".

Quer isto dizer que, obviamente, as projeções do lugares "não são uma indicação do resultado real das eleições europeias, nem eles devem ser usados como uma previsão destes resultados", tendo em conta que a situação vai continuar a desenvolver-se até às eleições".

"Este exercício tem como objetivo acompanhar" essa dita evolução, e fornecer dados para "a melhor compreensão destes desenvolvimentos".

Outros

De acordo com a explicação fornecida pelo Parlamento Europeu, a percentagem designada como "outros" refere-se às "novas formações políticas" que surgiram "nas cenas políticas nacionais", a partir de 2014, e que "têm potencial para alcançar um acento parlamentar", de acordo com as pesquisas realizadas.

Porém, "como não fazem parte de nenhum grupo político" no Parlamento Europeu, quando também não fazem parte de um partido político europeu, a projeção de lugares é colocada numa categoria designada por "outros".

Esta categoria é distribuída em igual valor absoluto, "à esquerda e à direita do hemiciclo", tendo em conta que não é possível aferir em que grupo essas formações políticas "escolheriam para se filiarem após as eleições".

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