Opositores iranianos em Bruxelas: "Soleimani era um terrorista"

Os ministros europeus dos Negócios Estrangeiros estão reunidos em Bruxelas, para analisar a situação no Médio Oriente.

O alto representante para a política Externa, Josep Borrell, expressou esta sexta-feira "preocupação", face à onda de instabilidade no Irão e no Iraque, depois do abate do general Qassem Soleimani, através de um ataque lançado por um drone norte-americano.

"O ano começou um pouco complicado. E, a situação é muito preocupante. Convoquei este encontro extraordinário de Negócios Estrangeiros, para ter uma discussão estratégica com os - ainda - 28 Estados-Membros, sobre os desenvolvimentos recentes no Irão, no Iraque e na Líbia", declarou Josep Borrell, enquanto do lado de fora do edifício Justus Lípsius decorria uma ruidosa ação de protesto.

Na emblemática rotunda Schuman, dezenas de apoiantes do Conselho Nacional da Resistência do Irão gritavam e entoavam cânticos persas a pedir medidas à União Europeia contra um regime que dizem já ter dados provas de que "não vai mudar".

"O regime iraniano anunciou oficialmente que abandonaria o acordo nuclear, não vai respeitar o número de centrais de centrifugação [nuclear], não vai respeitar o nível de enriquecimento [de urânio]", afirmou Ali Bagheri, membro do Conselho Nacional da Resistência do Irão, ao DN, apontando que "é por essa razão que estamos aqui para pedir à União Europeia que adote uma política firme em relação ao Irão, para que sejam restabelecidas as resoluções do Conselho de Segurança e as sanções das Nações Unidas".

Numa mensagem escrita distribuída à imprensa em Bruxelas, a presidente do Conselho Nacional da Resistência, Maryam Rajavi acusa "os mullahs de nunca terem parado o seu programa de armas nucleares, apesar de beneficiarem das concessões" do acordo nuclear, JCPOA, na sigla inglesa.

"Falta transparência em relação a possíveis dimensões militares do programa de armas nucleares do regime, o trabalho da agência secreta que dirige o programa de armas nucleares", nomeadamente nos "detalhes do seu local secreto para testes", acusa Rajavi, dando os exemplos do "Centro de Investigação e Expansão e o cento de Tecnologias sobre Explosões e Impacto - METFAZ", os quais, segundo diz, "estão entre essas atividades".

"Além disso, o regime iraniano não respondeu a perguntas da Agência Internacional de Energia Atómica, sobre a presença de materiais de urânio altamente enriquecidos, nem permitiu entrevistas com os principais especialistas e oficiais envolvidos no seu programa nuclear", afirma Maryam Rajavi.

Na manifestação em Bruxelas, ao contrário do que se vê em Teerão, este grupo de iranianos não vê um herói no general abatido pelos Estados Unidos. "Soleimani era um terrorista", garante Ali Bagheri.

"E agora o mundo é um lugar mais seguro. E o povo do Irão está feliz com isso. Eles estão a comemorar no países fora do Irão e também dentro do Irão. Recebemos vários vídeos e sentimos que as pessoas estão felizes e animadas com isso", afirmou ao DN, enquanto ao fundo soam palavras de ordem, a pedir ações da União Europeia.

"O que pedimos é que acabem com esta política de aproximação [ao Irão], tomem medidas firmes dirigidas ao regime iraniano e às políticas que este regime demonstra desde 1979. Eles não as mudaram nada, - nem tem capacidade para mudar -, que reconheçam o direito de resistência e de mudança de regime dos iranianos e que apoiem o conselho nacional da residência e o plano de medidas do presidente Maryam Rajavi", defendeu.

Redução das tensões na região

Convidado para o encontro, o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, saudou "alguma redução nas tensões na região", registada "nas últimas 48 horas". Considerou, porém que "precisamos aproveitar e reduzir ainda mais as tensões".

"Não é do interesse de ninguém ter um novo conflito no Oriente Médio", considerou Stoltenberg, aproveitando para mencionar os três "desafios urgentes que todos temos que enfrentar".

"Precisamos continuar a apoiar o Iraque. A UE e a Nato são membros da coligação global para derrotar o Daesh. Temos pessoal no terreno. Tanto a coligação, quanto a Nato suspenderam o treino e a preparação no Iraque, por razões de segurança", disse.

Avião de passageiros abatido?

Stoltenberg apelou às autoridades Iranianas para assegurarem uma investigação independente, à queda do avião de passageiros Ucraniano, em Teerão, dizendo que "não tem razões para duvidar" das informações que dão conta de um possível erro de avaliação, das autoridades iranianas, que possa ter levado ao abate da aeronave e à consequente morte do 180 passageiros.

"É importante que possamos estabelecer todos os factos. Precisamos de uma investigação total e transparente. E apelo ao Irão para participar plenamente e contribuir para uma investigação transparente e total", defendeu, considerando que os indícios apontam para algo mais do que uma pena falha mecânica.

"Não entrarei em detalhes sobre a nossa inteligência [serviços secretos], mas o que posso dizer é que não temos motivos para não acreditar nos relatórios que vimos, de diferentes capitais aliadas da Nato, e que expressaram preocupação com informações que indicam que o avião pode ter sido derrubado por sistemas de defesa aérea iranianos", disse.

Horas antes, também a Comissão Europeia tinha apelado a uma investigação independente, visto que "nesta fase, ainda não há evidências conclusivas do que causou o incidente e ainda estamos a aguardar os resultados da investigação em curso".

"É muito importante para nós, que a investigação realizada seja independente e credível, conduzida de acordo com as regras internacionais da Organização Internacional de Aviação Civil", defendeu o porta-voz da Comissão Europeia, Johannes Bahrke.

"Isso é importante para nós. Obviamente, a Comissão está pronta para dar toda a assistência necessária às autoridades que estão a conduzir a investigação", prometeu, classificando como "crucial" garantir a segurança "dos passageiros aéreos e a segurança dos cidadãos europeus que usam aviões dentro e fora da União Europeia".

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