Nova Iorque proíbe a venda de 'foie gras'. Chefs, produtores e clientes indignados

Cidade norte-americana vai banir a venda da iguaria francesa a partir de 2022, para poupar sofrimento de gansos e patos

A especialidade de cozinha francesa foie gras - fígado gordo em português -, feita através da hipertrofia lipídica do fígado de ganso ou pato, deixará de ser comercializado a partir de 2022 em Nova Iorque, que aprovou uma lei que proíbe a venda em lojas e restaurantes.

A medida entrará em vigor já em 2020, mas vai haver um período de transição para a adaptação do setor, até porque serão afetados cerca de mil restaurantes. A partir daí, o foie gras será proibido, sob pena de multas que variam entre os 500 e os dois mil dólares (entre 448 e 1800 euros).

A lei foi aprovada com 42 votos a favor e seis contra. Também a Califórnia já tinha adotado uma medida semelhante no início deste ano.

Na base desta proibição estão preocupações pelo bem-estar animal. Os animalistas acreditam que a obtenção da iguaria oculta muita crueldade. "É um dia histórico para os direitos dos animais", disse Matthew Dominguez, de uma associação de direitos dos animais.

Por outro lado, os produtores, chefs e clientes criticam a medida e dizem que é exagerada. "Fiquei um pouco chocado. Se querem abrir essa porta, há muitas outras reivindicações que podem ser feitas. Que tal álcool? Quantas pessoas são mortas? Não gostamos de falar sobre isso porque gostamos de beber um cocktail de vez em quando", afirmou Jeffrey Chouinard, diretor de alimentos e bebidas do Dirty French, um restaurante de Manhattan. "Se seremos capazes de sobreviver sem o foie gras? A 100 por cento. Vão ver um grande aumento na venda de foie gras antes de a proibição entrar em vigor", acrescentou, citado pelo The Guardian .

Ariane Daguin, CEO e fundador da fornecedora de alimentos gourmet D'Artagnan, diz que "a premissa desta legislação de que o processo é desumano não é apoiada por fatos ou investigações" e adianta que a "proibição de foie gras em Nova Iorque custará a mais de 400 trabalhadores imigrantes os seus empregos".

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