Procuradoria do Kosovo vai investigar polémica deportação de seis turcos

Ramush Haradinaj demitiu o ministro do Interior e o chefe dos serviços secretos por terem fomentado uma deportação "urgente e secreta"

A procuradoria do Kosovo vai iniciar hoje uma investigação sobre a recente e polémica deportação de seis cidadãos turcos considerados por Ancara membros da confraria acusada de instigar o fracassado golpe de Estado de 2016.

A decisão foi anunciada pelo procurador-geral Alexsander Lumezi em declarações ao portal informativo kosovar Gazeta Express, em que precisou que deverá ser esclarecido se foi cometido um delito, e até que ponto estiveram envolvidos altos responsáveis kosovares.

"Estabeleceremos se há elementos de delito. Na base de informações que recolhemos, veremos se há funcionários do Estado responsáveis pela deportação de cidadãos turcos", indicou Lumezi, que dirige a investigação.

Os seis cidadãos turcos foram detidos no Kosovo na passada quinta-feira, aparentemente numa operação de cooperação entre os serviços secretos kosovares e turcos, e rapidamente transferidos num avião privado para a Turquia para serem julgados sob a acusação de pertenceram à confraria liderada pelo predicador islamita exilado Fethullah Gülen, que Ancara define como uma "organização terrorista".

Na ocasião, o Ministério do Interior indicou que tinha sido revogada a "autorização de residência" dos detidos, sem especificar os motivos e as circunstâncias.

Após esta decisão, os principais dirigentes políticos kosovares informaram que não estavam informados sobre esta operação.

Dois dias mais tarde, o Presidente do Kosovo, Hashim Thaçi, disse que na perspetiva dos serviços secretos kosovares, estas seis pessoas representavam um "risco para a segurança nacional", mesmo que até ao momento não tenham sido fornecidos detalhes precisos sobre estes suspeitos.

O primeiro-ministro do Kosovo, Ramush Haradinaj, que pediu uma investigação sobre este caso, demitiu na sexta-feira o seu ministro do Interior, Flamur Sefaj, e o chefe dos serviços secretos, Driton Gashi, por terem fomentado uma deportação "urgente e secreta".

No entanto, e segundo o diário kosovar Koha, Gashi permanecerá no cargo pelo facto de Thaçi ter optado por não confirmar a sua destituição "até que seja completada a investigação das autoridades competentes para estabelecer se houve violações de leis ou de procedimentos".

No passado fim de semana, o Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, criticou Haradinaj por punir os supostos responsáveis pela deportação.

O pouco habitual procedimento kosovar suscitou críticas de ONG e defensores dos direitos humanos, pelo facto de terem sido retiradas aos seis cidadãos turcos as autorizações de residência, o que permitiu a sua deportação quase imediata, sob o argumento de estarem ilegalmente no Kosovo.

Ancara considera que alguns dos suspeitos são seguidores de Gülen, e que nos Balcãs ajudavam outros membros da confraria perseguidos na Turquia a fugirem para países europeus e Estados Unidos.

Segundo Ancara, outros dirigiam uma rede de colégios e ainda diversas fundações ou instituições associadas à organização dirigida por Gülen, exilado nos EUA desde 1999.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG