"O Brasil acima de tudo. Deus acima de todos." Frases marcantes dos 100 dias de Bolsonaro

Presidente do Brasil está em funções há 100 dias.

Jair Bolsonaro iniciou o seu mandato enquanto presidente do Brasil no dia um de janeiro de 2019. Desde a cerimónia de tomada de posse até à sua visita para estreitar os laços com Israel, a sua presidência tem sido marcada por citações que não vão ser esquecidas.

No discurso de tomada de posse como Presidente do Brasil, que ocorreu no primeiro dia do ano, Jair Bolsonaro deixou ao seu país uma promessa. "Prometo manter, defender e cumprir a constituição, observar as leis e promover o bem geral do povo brasileiro, sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil."

No discurso que proferiu junto ao Palácio do Planalto, em Brasília acrescentou que aquele era o dia "em que o povo se começou a libertar do socialismo, a libertar-se da inversão de valores, do gigantismo estatal e do politicamente correto". "Esta é a nossa bandeira, jamais será vermelha, e daremos o nosso sangue para mantê-la verde e amarela."

"O Brasil acima de tudo. Deus acima de todos," tem sido o seu lema.

No dia três de janeiro o presidente brasileiro questionou a pertinência da Justiça do Trabalho em declarações ao Sistema Brasileiro de Televisão. "Que país do mundo tem [Justiça do Trabalho, onde são julgados os conflitos laborais]? Já temos Justiça comum, se [um trabalhador] vai à Justiça e perde, ele tem de pagar. (...) Não faz sentido ter direitos se não houver trabalho."

Na cerimónia de posse de dirigentes de bancos públicos do Brasil que decorreu no dia sete de janeiro, o presidente prometeu transparência acima de tudo. "Eles tiveram liberdade de escolher toda a sua equipa, sem interferência política. (...) Transparência acima de tudo, todos os nossos atos serão abertos ao público."

Dia nove falou sobre a entrada de migrantes no Brasil. "O Brasil é soberano para decidir se aceita ou não migrantes. Quem porventura vier para cá deverá estar sujeito às nossas leis, regras e costumes, bem como deverão cantar nosso hino e respeitar nossa cultura. Não é qualquer um que entra em nossa casa, nem será qualquer um que entrará no Brasil via pacto adotado por terceiros."

Dia 15, ao assinar o decreto que flexibilizou a legislação para a posse de armas de fogo no Brasil, Bolsonaro disse: "Como o povo soberanamente decidiu por ocasião do referendo de 2005, para lhes garantir esse legítimo direito à defesa, eu, como Presidente, usarei esta arma."

Uma semana depois, voltou a fazer manchete ao defender os esforços ambientais brasileiros. "Somos o país que mais preserva o meio ambiente. Nenhum outro país do mundo tem tantas florestas como nós. A agricultura faz-se presente em apenas 9% do nosso território e cresce graças à sua tecnologia e à competência do produtor rural. Menos de 20% do nosso solo é dedicado à pecuária."

No dia 23, Jair Bolsonaro usou a rede social Twitter para reconhecer, Juan Guaidó, como presidente interino da Venezuela. "O Brasil reconhece o senhor Juan Guaidó como Presidente Encarregado [interino] da Venezuela."

Em fevereiro, no dia quatro, o presidente brasileiro declarou guerra ao crime organizado. "O Governo brasileiro declara guerra ao crime organizado. Guerra moral, guerra jurídica, guerra de combate. Não temos pena e nem medo de criminosos. A eles sejam dadas as garantias da lei e que tais leis sejam mais duras. O nosso Governo já está a trabalhar nessa direção."

No dia oito do mesmo mês, solidarizou-se com a dor dos familiares aquando da tragédia no centro de treinos da equipa de futebol brasileira, Flamengo. "Nesta manhã, tomámos conhecimento da triste tragédia ocorrida no centro de treinos do Flamengo, vitimando jovens vidas que iniciavam a sua caminhada rumo à realização dos seus sonhos profissionais. Consternado, o Presidente da República solidariza-se com a dor dos familiares neste momento de luto."

No dia internacional da mulher, 8 de março, Bolsonaro prometeu lutar pelos direitos das mulheres, no twitter. "Infelizmente não depende só de mim para que muitas das pautas já conhecidas avancem. De tudo faremos para que estas joias raras [mulheres], ao fim dos próximos quatro anos, possam sentir-se mais representadas."

"Pela primeira vez, o número de ministros e ministras está equilibrado. Nós temos 22 ministérios: 20 homens e duas mulheres. Cada uma dessas mulheres que estão aqui equivale a dez homens. A garra dessas duas mulheres transmite energia para os demais." Foram os comentários do presidente brasileiro sobre o desequilíbrio entre homens e mulheres a desempenhar o cargo de ministros.

17 de março, em visita aos Estados Unidos da América, Jair Bolsonaro falou sobre o começo da parceria entre o Brasil e os Estados Unidos. "Pela primeira vez em muito tempo, um Presidente brasileiro que não é anti-americano chega a Washington. É o começo de uma parceria pela liberdade e prosperidade, como os brasileiros sempre desejaram."

No dia 19 do mesmo mês foi citado a considerar as relações diplomáticas entre o Brasil e os Estados Unidos. "Nas últimas décadas, era tradição no Brasil, e peço desculpa pela sinceridade, (...) eleger presidentes que andassem de mãos dadas com a corrupção e inimigos dos Estados Unidos. Hoje, o Brasil tem um Presidente que é amigo dos EUA, que admira esse país maravilhoso e quer aprofundar laços de amizade, assim como variadas negociações."

Ainda no mesmo dia concordou com as políticas do presidente norte-americano Donald Trump. "Nós vemos com bons olhos a construção do muro (...) A maioria dos imigrantes não tem boas intenções nem quer fazer o bem para os [norte] americanos."

No dia 21 de março mostrou solidariedade para com as vítimas do ciclone Idai, na rede social Twitter.

No dia 25 de março, ao comentar a confissão do ativista italiano Cesare Battisti, de ter assumido a responsabilidade por quatro assassinatos na década de 1970, Jair Bolsonaro disse que o seu país estava a dar "um recado ao mundo". "Por anos denunciei a proteção dada ao terrorista, aqui tratado como exilado político. Nas eleições, firmei o compromisso de mandá-lo de volta à Itália para que pagasse por seus crimes. A nova posição do Brasil é um recado ao mundo: não seremos mais o paraíso de bandidos!"

Na rede social Facebook, durante o dia 28 do mesmo mês, acusou os principais partidos da oposição de não se comprometerem com o futuro do seu país. "Quem está contra a reforma do sistema de pagamento de pensões é o Partido dos Trabalhadores (PT), o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Essas pessoas parece que não têm compromisso com o futuro do Brasil. Eu gostaria que todas as pessoas se aposentassem [de preferência] o homem com 25 anos e a mulher com 20."

Na sua visita a Israel, no dia 31 de março, Bolsonaro disse que: "Os israelitas e os brasileiros partilham valores, tradições culturais, apreço pela liberdade e pela democracia (...) Temos que explorar o potencial e é o que vamos fazer nesta visita."

No final da sua visita a Israel, no museu do Holocausto, no dia 2 de abril, o presidente brasileiro afirmou que o Partido Nacional-Socialista da Alemanha era de esquerda, afirmação que foi rapidamente considerada "uma asneira", pelos historiadores europeus. "Não há dúvida, não é? Partido Nacional-Socialista da Alemanha", respondeu Jair Bolsonaro com o nome do partido de Adolf Hitler, a um jornalista que o questionou se concordava com a opinião do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, de que o nazismo era de esquerda.

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Elizabeth Warren tem um plano

Donald Trump continua com níveis baixos de aprovação nacional, mas capacidade muito elevada de manter a fidelidade republicana. A oportunidade para travar a reeleição do mais bizarro presidente que a história recente da América revelou existe: entre 55% e 60% dos eleitores garantem que Trump não merece segundo mandato. A chave está em saber se os democratas vão ser capazes de mobilizar para as urnas essa maioria anti-Trump que, para já, é só virtual. Em tempos normais, o centrismo experiente de Joe Biden seria a escolha mais avisada. Mas os EUA não vivem tempos normais. Kennedy apontou para a Lua e alimentava o "sonho americano". Obama oferecia a garantia de que ainda era possível acreditar nisso (yes we can). Elizabeth Warren pode não ter ambições tão inspiradoras - mas tem um plano. E esse plano da senadora corajosa e frontal do Massachusetts pode mesmo ser a maior ameaça a Donald Trump.