Bolsonaro diz que legado do ministro Sergio Moro "não tem preço"

Presidente do Brasil disse no Palácio do Planalto, sede do Governo em Brasília, que o legado do ex-juiz e atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, "não tem preço"

"O que ele [Sérgio Moro] fez não tem preço. Ele realmente colocou para fora, mostrou as vísceras do poder, a promiscuidade do poder no tocante à corrupção", disse Bolsonaro.

"Houve uma quebra [de sigilo de conversas de Moro com investigadores da Lava Jato] criminosa. Se é o que está sendo vazado [divulgado] é verdadeiro ou não", acrescentou.

Este foi o primeiro comentário do chefe de Estado brasileiro sobre mensagens trocadas entre procuradores e Sergio Moro na aplicação Telegram divulgadas pelo 'site' investigativo The Intercept, numa série de reportagens que colocam em causa a imparcialidade da maior operação contra a corrupção do Brasil.

Segundo o 'site', um vasto conteúdo de mensagens, documentos, fotos, vídeos e arquivos de áudio obtidos de uma fonte anónima revelam colaborações ilegais de Moro com os investigadores da Lava Jato, enquanto ele era juiz responsável por julgar o processo da operação.

Moro terá sugeriu ao procurador Deltan Dallagnol, responsável pelas investigações, que alterasse a ordem de duas fases da operação, deu conselhos, indicou caminhos de investigação e orientou os promotores encarregados do caso, ou seja, ajudou a acusação, o que viola a legislação brasileira que exige imparcialidade aos juízes.

As mensagens também indicariam, segundo o Intercept, que os promotores da Lava Jato tinham sérias dúvidas sobre a qualidade das provas contra o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva num processo em que foi condenado em três instâncias da justiça brasileira de receber um apartamento de luxo como suborno da construtora OAS.

Lula da Silva foi preso em abril do ano passado, para cumprir pena desta condenação em regime fechado, sendo posteriormente proibido de concorrer na eleição presidencial realizada em 2018, quando era o candidato favorito da população, segundo as sondagens realizadas à época.

Haveria também menções sobre interferências políticas planeadas pelos promotores da Jato Lava que teriam pensando em formas de impedir uma entrevista que Lula da Silva deveria dar ao jornal Folha de São Paulo, alegando que a mesma poderia beneficiar o Partido dos Trabalhadores (PT) nas eleições presidenciais do Brasil.

Exclusivos

Premium

Catarina Carvalho

Clima: mais um governo para pôr a cabeça na areia

Poderá o mundo comportar Trump nos EUA, Bolsonaro no Brasil, Erdogan na Turquia e Boris no Reino Unido? Sendo esta a semana do facto consumado do Brexit e coincidindo com a conferência do clima da ONU, vale a pena perguntarmos isto mesmo. E nem só por razões socioideológicas e políticas. Ou sobretudo não por estas razões. Por razões simples de simples sobrevivência do nosso planeta a que chamamos terra - porque é isso que é fundamentalmente: a nossa terra. Todos estes líderes são mais ou menos populistas, todos basearam as suas campanhas e posteriores eleições numa visão do mundo completamente conservadora - e, até, retrógrada - do ponto de vista ambiental. E embora isso seja facilmente explicável pelas razões que os levaram à popularidade, é uma das facetas mais perigosas da sua chegada ao poder. Vem tudo no mesmo sentido: a proteção de quem se sente frágil, num mundo irreconhecível, em acelerada e complexa mudança, tempos de um paradigma digital que liberta tarefas braçais, em que as mulheres têm os mesmos direitos que os homens, em que os jovens podem saber mais do que os mais velhos... e em que nem na meteorologia podemos confiar.

Premium

Pedro Lains

Boris Johnson e a pergunta do momento

Afinal, ao contrário do que esperava, a estratégia do Brexit compensou, isto é, os resultados das eleições desta semana deram uma confortável maioria parlamentar ao homem que prometeu a saída do Reino Unido da União Europeia. A dimensão da vitória põe de lado explicações baseadas na manipulação das redes sociais, da imprensa ou do eleitorado. E também põe de lado explicações que colocam o desfecho como a vitória de uma parte do país contra outras, como se constata da observação do mapa dos resultados eleitorais. Também não se pode usar o argumento de que a vitória dependeu de um melhor uso das redes sociais, pois esse uso estava ao alcance de todos e se o Partido Trabalhista não o fez só ele pode ser responsabilizado. O Partido Conservador foi mais profícuo em mentiras declaradas, mas o Partido Trabalhista prometeu coisas a mais, o que é diferente eticamente, mas não do ponto de vista da política eleitoral. A exceção, importante, mas sempre exceção, dada a dimensão relativa da região, foi a Escócia, onde Boris Johnson não entrou. Mas a verdade é que o Partido Conservador conseguiu importantes vitórias em muitos círculos tradicionalmente trabalhistas. Era nessas áreas que o Manifesto de esquerda tradicional teria mais hipóteses de ganhar, pois são as áreas mais afetadas pela austeridade dos últimos nove anos. Mas tudo saiu ao contrário. Porquê?