Presidente da Guiné Equatorial cancela visita à sede da CPLP

Segundo o secretário-executivo da CPLP, Obiang não vem a Lisboa por estar a formar governo no seu país

O Presidente da Guiné Equatorial cancelou a visita à sede da CPLP, em Lisboa, prevista para sexta-feira, e vai enviar "em breve" uma missão para preparar a sua deslocação a Portugal, disse hoje à Lusa o secretário-executivo da organização.

"A visita do Presidente da Guiné Equatorial não se vai concretizar", afirmou o responsável da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Murade Murargy, referindo que o Teodoro Obiang Nguema justificou não estar "em condições" de sair do seu país por estar a formar o seu Governo, após as eleições de 24 de abril.

Fonte da CPLP tinha anunciado, no início da semana, que o Presidente equato-guineense visitaria a sede da organização esta sexta-feira de manhã, uma receção que foi preparada, apesar de o secretário-executivo não ter confirmação oficial, como indicou à Lusa esta terça-feira.

"Depois da formação do Governo, vai enviar uma missão a Portugal para acertar todos os detalhes da visita" com as autoridades portuguesas, disse Murargy, que acrescentou desconhecer qual o teor da visita que Teodoro Obiang pretende fazer ao país.

Murade Murargy mencionou que Obiang é "muito religioso" e quer visitar o Santuário de Fátima e recordou que, logo após a entrada da Guiné Equatorial na CPLP, há dois anos, o Presidente indicou que o primeiro país que queria visitar era Portugal.

Mas, para vir a Portugal, o Presidente "tem de ter uma concordância das autoridades portuguesas", e, em função disso, definir se se tratará de uma visita de Estado ou visita privada.

Questionado se o cancelamento da visita se deveu a uma falta de articulação com o Governo e Presidência da República portugueses - que disseram desconhecer a intenção de Teodoro Obiang de se deslocar ao país -, Murade Murargy respondeu: "Pode ser isso, e outro fator é que ele não estava preparado para vir agora".

Essa articulação, mencionou, cabe ao embaixador acreditado em Lisboa. "Eu não me preocupo com essa parte. Eu parti do princípio de que essa articulação estava feita", salientou.

À pergunta sobre se o anúncio desta visita pretendeu testar a reação das autoridades portuguesas, Murargy negou e sublinhou que Teodoro Obiang tem, há muito, o desejo de vir a Portugal.

"A visita à CPLP vai-se manter, quando o Presidente Obiang vier a Portugal, qualquer que seja a natureza dessa visita", assegurou.

Murade Murargy, que, na qualidade de secretário-executivo da CPLP, convidou Teodoro Obiang a visitar a sede da organização, garantiu que o seu convite se "mantém de pé".

"A Guiné Equatorial é o mais recente membro da CPLP. Qualquer dirigente de um Estado-membro tem o direito de visitar a sede da organização", disse.

Questionado se a visita de Obiang à sede da Comunidade pode acontecer antes do final do mandato como secretário-executivo - que deverá terminar este ano, na cimeira que se realizará em Brasília -, Murade Murargy respondeu que sim.

"Eu fiz-lhe ver isso, que estou quase a acabar o meu mandato e era bom que visitasse antes", mencionou, recordando que responsáveis de todos os Estados-membros da CPLP já visitaram a sede e que faz sentido que o mesmo aconteça com a Guiné Equatorial, que é o membro mais recente.

O responsável da CPLP afastou a possibilidade de o Presidente Obiang estar presente nas cerimónias que vão assinalar o 20.º aniversário do bloco lusófono, no próximo dia 18, a decorrer na sede da organização.

A Guiné Equatorial, único país de língua espanhola no continente africano, aderiu à CPLP em julho de 2014, após a definição de um roteiro que previa a disseminação do português no país e uma moratória sobre a pena de morte, de que Portugal foi um forte defensor.

O regime de Teodoro Obiang, no poder desde 1979, é acusado por várias organizações da sociedade civil de constantes violações dos direitos humanos e perseguição a políticos da oposição.

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