Presença de tropas norte-americanas no Médio Oriente divide candidatos democratas

O debate dos candidatos democratas às eleições primárias dos Estados Unidos mostrou, na terça-feira, divergências entre defensores da retirada das tropas norte-americanas do Médio Oriente e apoiantes da sua manutenção.

Os candidatos mais progressistas, os senadores Bernie Sanders e Elizabeth Warren, prometeram que, se chegassem à Casa Branca, trariam "de volta a casa" os militares.

"O nosso exército é o melhor exército do mundo. Eles [militares] farão os sacrifícios que lhes pedirmos. Mas devemos parar de lhes pedir que resolvam problemas que não podem ser resolvidos militarmente", afirmou Warren, terceira nas sondagens.

Por outro lado, o ex-vice-presidente Joe Biden e a senadora Amy Klobuchar, mais moderados, defenderam a manutenção das tropas norte-americanas em alguns locais.

Biden prometeu que, se suceder ao Presidente norte-americano, Donald Trump, deixará algumas tropas no Médio Oriente para "patrulhar" o Golfo Pérsico e continuar a luta contra o grupo extremista Estado Islâmico, presente na Síria e no Iraque.

Já Klobuchar disse que retiraria os soldados norte-americanos do Afeganistão, mas manteria uma certa presença na fronteira entre a Síria e a Turquia.

Pete Buttigieg, autarca de South Bend, no estado do Indiana, o único com experiência militar, não esclareceu a sua posição, mas assegurou que consultaria o Congresso antes de uma intervenção militar no exterior, numa crítica a Trump por não ter consultado os congressistas antes do ataque em Bagdad que matou o general iraniano Qassem Soleimani.

E como evitar a reeleição de Donald Trump?

Donald Trump, e como evitar a reeleição do candidato republicano, também foi trazido ao debate, que teve lugar no Iowa, o primeiro estado norte-americano a pronunciar-se nas primárias, a 3 de fevereiro.

Este estado rural localizado na região centro-oeste dos EUA continua indeciso sobre a melhor estratégia para vencer Trump. Joe Biden lidera as sondagens com 20,7% das intenções de voto, seguido de perto por Sanders (20,3%), Buttigieg (18,7%), e Warren (16%).

"Venho aqui esta noite com o coração cheio de esperança", disse Elizabeth Warren. "Vejo este como o nosso momento na história, o momento em que ninguém fica para trás, o momento em que entendemos que somos responsáveis por decidir o futuro deste país", declarou a senadora.

Num tom mais duro, Bernie Sanders pediu que se pense "em grande" e insistiu nas diferenças entre o 1% mais rico dos Estados Unidos e os restantes 99%, que lutam para ter acesso aos cuidados de saúde.

O ex-vice-presidente Joe Biden disse querer "restaurar a alma da América" e devolver aos Estados Unidos o mesmo lugar em que o país se encontrava antes de Trump.

"Lideramos o mundo pelo exemplo e não pelo poder. Temos de voltar a ganhar o respeito do mundo para que possamos mudar as coisas", disse o ex-vice de Barack Obama.

Por seu lado, Buttigieg usou o último discurso para um apelo aos republicanos desiludidos com Trump: "Se costumavam votar no outro partido, mas agora não podem olhar nos olhos dos vossos filhos e justificar este Presidente, juntem-se a mim", disse.

Uma mulher na presidência

Um dos momentos mais aguardados da noite foi o confronto entre os dois concorrentes mais progressistas, Sanders e Warren, que até então tinham mantido uma trégua para não se atacarem mutuamente nos debates televisivos.

O pacto chegou ao fim depois de ter sido noticiado que, numa reunião privada em 2018, Sanders terá dito a Warren que uma mulher não podia vencer as presidenciais contra Trump.

No debate, Sanders voltou a negar o comentário, garantindo que há muito defende a ideia de uma mulher na presidência. Já Warren reiterou as palavras do senador, embora tenha tentado minimizá-las. A senadora preferiu focar-se no sucesso que ela e Klobuchar, as duas mulheres em palco, tiveram na sua carreira, tendo vencido todas as eleições que disputaram, enquanto os três rivais masculinos já perderam dez entre eles.

Fortemente aplaudida, Warren terminou afirmando-se como a candidata da unidade. E afirmou: "O verdadeiro perigo que nós, democratas, enfrentamos é escolher um candidato que não consiga unir o partido ou alguém que dê por garantido grande parte do eleitorado. Temos de entusiasmar todas as partes do partido, unir toda a gente e dar a todos um democrata em quem possam confiar".

Trump critica Bernie Sanders

Antes do início do debate democrata, Donald Trump fez um discurso de 90 minutos numa universidade em Milwaukee, no estado do Wisconsin, que será fundamental para as eleições de novembro.

"Bernie e a esquerda radical não podem proteger as vossas famílias e não protegerão o nosso país", disse o atual chefe de Estado, que derrotou a democrata Hillary Clinton em 2016.

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