Realizador ucraniano Oleg Sentsov, preso na Rússia, vence Prémio Sakharov

Distinção é atribuída pelo Parlamento Europeu. Sentsov está detido, depois de ter sido condenado a 20 anos de prisão por um tribunal russo.

O Prémio Sakharov de Direitos Humanos foi atribuído esta quinta-feira ao realizador ucraniano Oleg Sentsov. Oleg Gennadyevich Sentsov, natural da Crimeia, ficou internacionalmente conhecido pelo seu filme Gamer, de 2011. Após a anexação da Crimeia pela Federação Russa foi preso, em maio de 2014, na sua terra natal e condenado a 20 anos de prisão por um tribunal russo, sob a acusação de conspirar para a prática de atos terroristas. O cineasta e escritor tinha-se oposto à anexação.

A 14 de maio deste ano entrou em greve de fome, em protesto contra a prisão de 65 presos políticos ucranianos na Rússia.

A União Europeia e os Estados Unidos condenaram a detenção de Sentsov e apelaram à sua libertação, sem sucesso. Em junho deste ano, o Parlamento Europeu apoiou uma resolução sobre a libertação imediata do cineasta e outros 158 presos políticos ucranianos.

Os realizadores de cinema europeus Agnieszka Holland, Ken Loach, Mike Leigh, e Pedro Almodóvar co-assinaram a 10 de Junho de 2014 uma carta da Academia de Cinema Europeu às autoridades russas, exigindo que as acusações contra Sentsov fossem retiradas, e as denúncias de tortura investigadas.[41][42] O director de cinema iraniano Mohsen Makhmalbaf dedicou a sua aceitação do Prémio Robert Bresson 2015 do Festival de Cinema de Veneza a Sentsov, chamando a condenação de uma "grande injustiça", e a sentença "um passo para intimidar toda a sociedade russa, especialmente os intelectuais e artistas".

Sentov foi agora o escolhido pela Conferência de Presidentes do PE numa lista que incluía também um grupo de organizações não-governamentais (ONG) que resgata migrantes no Mediterrâneo e o ativista político marroquino Nasser Zefzafi.

O galardão será atribuído a 12 de dezembro, durante a sessão plenária do Parlamento Europeu.

A oposição democrática na Venezuela foi a vencedora do Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento em 2017.

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