Preço do café em mínimos de mais de uma década. Mas a "bica" não irá baixar

A forte queda no preço do café está a preocupar o setor. São 25 milhões de famílias produtoras em todo o mundo, de acordo com Federação Nacional de Cafeteiros da Colômbia, que estão a enfrentar a crise

"Um café, por favor". Esta é uma frase repetida diariamente em todo o mundo. Mas por detrás deste simples ato, o que provavelmente os consumidores desconhecem é que o setor está a enfrentar uma das piores crises para os agricultores, com o preço do café a atingir mínimos históricos em 12 anos. Um pesadelo para os produtores de uma das bebidas mais consumidas do mundo, a par do chá, que viram na passada segunda-feira, 20 de agosto, o grão de café a valer menos de um dólar por libra (unidade de peso correspondente a 453,59 gramas) na bolsa de Nova Iorque.

"Esta não é só uma crise das 540 mil famílias cafeteiras colombianas, é uma crise mundial do café. Com estes níveis de preço, nenhuma produção de café é rentável e sustentável", avisou Roberto Vélez, dirigente da Federação Nacional de Cafeteiros da Colômbia (FNC), citado pelo El País . De referir que a Colômbia é o terceiro maior produtor de café do mundo, a seguir ao líder Brasil e ao Vietname.

De acordo com a organização, o preço de referência para os cafés suaves está em queda há 22 meses na bolsa de Nova Iorque, desde que em novembro de 2016, o grão de café valia 1,60 dólares por libra. Desde agosto de 2006 que o preço do grão de café não ficava abaixo de 1 dólar por libra.

A descida acentuada do preço do café afeta "de forma drástica" os agricultores produtores desta matéria-prima e deteriora as "condições sociais" dos 3,5 milhões de produtores da Colômbia, alertou o mesmo responsável. A situação é de tal forma grave que na próxima semana a FNC vai reunir-se de emergência com o governo colombiano, na qual se pretende discutir um fundo de estabilização de preços, formas de aliviar as dívidas dos produtores, bem como um programa de retenção do café.

A queda do preço do café não influência o valor que o consumidor paga

A especulação no setor trazida por fundos de investimentos é a principal causa apontada pelos agricultores, mas também o mercado de procura e oferta da matéria-prima e o facto de o Brasil, o maior produtor mundial, ter tido uma colheita mais elevada. "Não se pode continuar a permitir que atores fora da indústria, como os fundos de investimento que, numa procura desenfreada pelo lucro, determinem o preço de um produto tão importante do qual depende o sustento de 25 milhões de famílias produtoras do mundo", afirmou Vélez.

Curiosamente, o facto de o preço do grão de café estar em queda não tem tido influência no valor que o consumidor paga, uma vez que a matéria-prima constitui uma ínfima parte nos custos. A cadeia norte-americana de lojas de café Starbuck é disso exemplo, ao aumentar os preços dos seus produtos derivados do café, como conta a Bloomberg .

O consumoper capitade café, cuja planta é originária da Etiópia, é liderado pela Finlândia. De acordo com os dados da Organização Internacional de Café, citados pelo The Telegraph, cada finlandês consume uns impressionantes 12 quilos de café por ano. E, ao contrário do que se possa pensar, Portugal está no fundo da lista de maiores consumidores do mundo. Os dados mais recentes indicam que cada português consome 4,3 quilos de café por ano.

O consumo desta bebida, bem como a produção de café, estão em crescimento no nosso país nos últimos anos. Segundo um estudo publicado em maio pela consultora Informa D&B, o mercado do café em Portugal cresceu cerca de 3,1 % em 2017, contabilizando 500 milhões de euros. "O valor do mercado de café tem alcançado nos últimos anos uma significativa retoma, após um período de estagnação que derivou da contração do consumo privado durante os anos da crise económica", refere o estudo.

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