"Precisamos de ter paciência", diz ex-secretário de Estado de Schäuble

Sondagem após rutura de negociações sobre coligação Jamaica dão CDU/CSU e SPD a descer, Verdes e FDP a subir

Martin Schulz, líder do SPD, garante que o partido não quer reeditar a grande coligação com a CDU/CSU de Angela Merkel. Disse-o logo a seguir às eleições de 24 de setembro, reafirmou-o na segunda-feira, após falharem as conversações entre os conservadores da chanceler, Verdes e liberais do FDP, com vista à formação de uma eventual coligação Jamaica. O presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, ele próprio saído do SPD, preferiu dar tempo aos partidos para refletir e assumir responsabilidades. E hoje começaram a surgir vozes sociais-democratas a defender um eventual entendimento entre a CDU/CSU e o SPD para dar um novo governo à Alemanha.

"Não podemos apenas dizer ao presidente alemão: "Desculpa, mas é só isto mesmo", disse o deputado social-democrata Johannes Kahrs, ao jornal Passauer Neue Presse. O Bild, por seu lado, escreveu que o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, Sigmar Gabriel, a quem Schulz sucedeu no SPD, também é favorável a uma reedição da grande coligação CDU/CSU-SPD para evitar instabilidade política na maior economia da UE. "O longo processo para formar governo está a minar a influência da Alemanha em Bruxelas", afirmou, por sua vez, o comissário alemão Günther Oettinger em entrevista a publicar amanhã pela Der Spiegel.

Segundo uma sondagem hoje divulgada por esta revista, em caso de novas legislativas no país, CDU/CSU e SPD caem, Verdes e FDP sobem, tal como a AfD, partido de extrema-direita cuja entrada no Bundestag chocou a Europa. "Há 48 horas o SPD excluiu entrar num governo e hoje já diz que pode pensar no assunto. Daqui a 48 horas, se calhar, já diz que pode participar num governo. Precisamos de ter paciência. Mas se tudo continuar ao ritmo de 48 em 48 horas vamos ter governo mais rápido do que seria de supor", disse hoje em Lisboa, na Universidade Católica, Steffen Kampeter, ex-secretário de Estado das Finanças alemão no tempo de Wolfgang Schäuble.

De acordo com aquele inquérito de opinião, realizado após o falhanço das negociações da coligação Jamaica, a CDU teria 29,2% dos votos, quando nas legislativas de 24 de setembro conseguiu 32,9%. O SPD também desceria, de 20,5% para 19,5%. A subir surgem os liberais do FDP, de 10,7%, para 13,2%, os Verdes, de 8,9% para 11,9% e a AfD, partido de extrema-direita, de 12,6% para 13,6%. O Die Linke também desce, de 9,2% para 8,4%.

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