PP vai contra a corrente e sobe em caso de novas eleições

Abstenção poderá registar valor mais alto de sempre. Mariano Rajoy e Pedro Sánchez não cedem nas suas intenções

Os nove meses de impasse político em Espanha, e que já obrigaram a duas idas às urnas, está a começar a refletir-se no nível de paciência dos espanhóis. Uma sondagem divulgada ontem pelo El País mostra que num cenário, cada vez mais provável, de novas eleições apenas 63% dos eleitores iria votar, o valor mais baixo da história da democracia do país vizinho. O PP voltaria a ser o partido mais votado, melhorando até os 33% que obteve a 26 de junho, mas não o suficiente para conseguir formar governo.

Os 34,8% que o partido de Mariano Rajoy obteria numas novas eleições gerais deve-se, segundo a análise do El País, ao "elevado grau de mobilização e de fidelidade entre os seus votantes", que "não atribuem somente a responsabilidade do atual bloqueio a Rajoy, nem têm dúvidas sobre a repetição da sua intenção de voto".

Mas a grande vencedora de nova ida às urnas seria a abstenção, que chegaria aos 37%, o valor mais alto de sempre e 6,8 pontos percentuais acima do registado a 26 de junho.
O mesmo não se passa com o PSOE, que nas eleições de junho obteve 22,7% dos votos. Num cenário de novas eleições, os socialistas continuariam como o segundo partido mais votado, mas veriam o seu apoio descer para os 21,3%.

Cenário idêntico se verifica no caso do Ciudadanos, apesar dos esforços de Albert Rivera para tentar viabilizar um governo - depois das eleições de dezembro ao lado do socialista Pedro Sánchez e mais recentemente junto do PP de Rajoy.

Se a ida às urnas fosse hoje, segundo a sondagem do El País, o Ciudadanos obteria 12% dos votos, menos 1,1 pontos percentuais que a 26 de junho, mas continuava a ser a quarta maior força política.
O Unidos Podemos, coligação que junta a Esquerda Unida de Alberto Garzón e o Podemos de Pablo Iglesias, foge à tendência e manteria em caso de novas eleições o resultado de 26 de junho: 21,1%.

Acordos inviáveis

Para Mariano Rajoy, a culpa deste impasse público é de Pedro Sánchez, o secretário-geral do PSOE, a quem acusou ontem de "não faz, nem deixa fazer". "O custo de não haver governo é cada vez mais preocupante. O bloqueio criado por Sánchez acabará por criar problemas a todos os espanhóis", declarou o primeiro-ministro em funções no Congresso.

O líder do PP afirmou ainda que a sua intenção é governar, pois é quem tem mais "legitimidade" por ser a maior força política e afastou outro cenário governativo. "Um acordo entre Podemos e Ciudadanos é inviável, impossível. E um acordo entre Podemos, ERC, Convergència e independentistas de todo o género vai contra qualquer razão e contra o ideário do PSOE e dos seus apoiantes", referiu Rajoy.

Sánchez concorda que é necessário "um governo com urgência", mas que este tem de ser "limpo" e que "não minta", o oposto do que faz e representa o PP, disse ontem o socialista. "Votaram para que puséssemos fim ao governo de Mariano Rajoy e é o que faremos", garantiu o líder do PSOE.

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