PP e Ciudadanos disponíveis para negociar com o Vox

Depois das eleições na Andaluzia, as contas estão mais fáceis à direita do que à esquerda. PP já tinha mostrado abertura para acordo pós-eleitoral com o Vox e Ciudadanos não recusa nada, desde que o seu candidato seja o próximo presidente da Junta.

"Não seremos obstáculo para acabar com o regime socialista", disse Francisco Serrano, cabeça de lista do partido de extrema-direita Vox, após a conquista de 12 deputados na Andaluzia. Na sua estreia num Parlamento em Espanha, o partido terá nas mãos a chave de garantir um governo de direito onde, nos últimos 36 anos, governou a esquerda. Partido Popular (PP) e Ciudadanos estão disponíveis para negociar.

"As linhas vermelhas são a Constituição", disse o candidato do PP à Junta, Juan Manuel Moreno, sobre a hipótese de negociar com a extrema-direita. Recorde-se que Santiago Abascal, líder nacional do Vox, foi do PP.

A abertura para pactuar com o Vox foi expressa logo na noite eleitoral, com Pablo Casado, o líder nacional, a dizer que abria "a porta das negociações", sendo a questão da supressão das autonomias (presente no programa do partido de extrema-direita) algo que não irá apoiar nunca.

Casado defendeu ainda que o Vox conquistou apoios em todo o lado, não só do PP, mas também do Ciudadanos, do PSOE e também do Podemos e da abstenção. "É um movimento transversal. Confirma-se o que digo no Congresso Nacional de que em Espanha há uma grande maioria social que quer que os políticos falem claro", indicou.

Ciudadanos

Do lado do Ciudadanos, o cenário preferido é aquele em que PP e PSOE apoiam o seu candidato, Juan Marín, como próximo presidente da Junta da Andaluzia. Apesar de ter sido terceiro, o partido de Albert Rivera declara-se vencedor porque foi aquele que mais do que duplicou o resultado de há três anos (enquanto os outros dois perderam deputados). Procurará por isso o apoio deles para "um governo moderado, liberal e constitucionalista".

"A nova etapa não pode ser protagonizada por quem perde 50% dos apoios [o PP] nem pode ser protagonizada por um partido corroído pela corrupção [o PSOE andaluz]", indicou o número dois do Ciudadanos, José Villegas. O Ciudadanos foi o partido que apoio o governo de Susana Díaz na última legislatura.

Mas, Villegas não afasta outras hipóteses. Isso mesmo respondeu numa conferência de imprensa à questão sobre um eventual pacto de centro-direita. "Vejo-me incapaz de descartar qualquer cenário", indicou, sem querer contudo opinar sobre o facto de o partido de extrema-direita ter ganho 12 deputados.

O problema é que o Vox exige, segundo indicou Abascal, que seja revogado o imposto sobre sucessões e revogadas as leis contra a violência de género e da memória histórica. E o Ciudadanos defende a luta contra a violência de género (Vox quer uma lei sobre violência intrafamiliar) e não se opôs em relação à da memória histórica.

Além disso, mesmo sem contar com o Vox, até uma coligação de centro-direita não é isenta de problemas. A nível nacional, PP e Ciudadanos disputam a liderança desse eleitorado e os populares lembram que, apesar de tudo, conseguiram ficar à frente, pelo que deviam ser eles a liderar a Junta.

Socialistas

A direção nacional do PSOE abriu a porta à demissão de Susana Díaz caso não consiga manter a presidência da Junta da Andaluzia, depois de ter obtido o pior resultado da história do partido. "Se tivesse perdido teria saído", afirmou a líder socialista, que foi adversária de Pedro Sánchez à liderança do PSOE. Susana Díaz lembra que venceu o PP, reiterando que o lógico é que o terceiro classificado (o Ciudadanos) apoie o primeiro.

Os socialistas afastam totalmente a ideia de entregar a presidência ao Ciudadanos, como o partido de Rivera defende. "O PSOE absteve-se para facilitar a investidura de Mariano Rajoy [em 2016]. Há um precedente que custou muito a esta organização, mas foi feito. Contudo, não vimos sacrifícios do outro lado", disse o secretário de organização do PSOE, José Luis Ábalos, dizendo que não é "muito sensato" ajudar o Ciudadanos "simplesmente para este evitar ligar-se à extrema-direita".

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