Portugueses na Catalunha fazem vida normal mas sentem aumento da tensão

Portugueses relatam problemas na mobilidade, causados pelo corte de algumas ruas ao trânsito.

Os portugueses que vivem e trabalham em Barcelona continuam a fazer a sua vida normal, apesar de sentirem um aumento da tensão provocada nos últimos dias pelos protestos violentos dos movimentos independentistas.

"Em termos do negócio e da vida pessoal está tudo normal", assegurou à agência Lusa Leonor Castro Pinto sócia de um restaurante no centro da capital catalã.

No entanto, Castro Pinto reconheceu que "há mais tensão no ar" e avançou que o único contratempo que tem é a redução da mobilidade causada pelas ruas que são cortadas ao trânsito.

Depois de ter sido conhecida na segunda-feira a sentença contra os principais políticos catalães responsáveis pela tentativa de independência em outubro de 2017 tem havido concentrações de separatistas um pouco por todo o lado na Catalunha.

As manifestações que começam de forma pacífica ao fim do dia têm sido marcadas na sua parte final por confrontos violentos entre grupos radicais e a polícia, transformando o centro de Barcelona num campo de batalha com várias avenidas cortadas e fogueiras em vários locais.

O sócio de Leonor Castro Pinto também afirmou que não está "apreensivo" e prognosticou que "depois do fim de semana" voltará tudo ao "normal".

"Já se esperava alguma agitação com a leitura da sentença", disse Jorge Penha, que mesmo assim admitiu haver "um grau de violência mais elevado do que se esperava".

Por outro lado, um português investigador de Ciência Política na Universidade Pompeu Fabra, André Pirralha, considerou que "não há que ter medo, porque a violência não é dirigida contra as pessoas, mas sim contra a polícia".

"A resolução do problema vai demorar muitos anos", vaticinou, acrescentando que "a Espanha está bloqueada politicamente e o que se passa na Catalunha é um sintoma disso mesmo".

Os espanhóis são chamados a votar em 10 de novembro próximo pela quarta vez nos últimos quatro anos, depois de os partidos políticos do país não terem conseguido formar um Governo na sequência da última consulta realizada em 28 de abril passado.

"Mais uma palhaçada independentista, mas desta vez com consequências mais graves, porque aumentou a violência", defendeu Ricardo Paulo, dono de uma empresa de importação de produtos portugueses.

Ricardo Paulo há dois dias que fica a trabalhar em casa, nos arredores de Barcelona, evitando ter de se confrontar com os atrasos devidos ao "corte de estradas" ou que lhe "partam o automóvel".

"Espero que a situação se acalme, mas os problemas não vão acabar enquanto o Governo de Madrid não tomar medidas drásticas", disse Ricardo Paulo, culpando os políticos nacionais com "medo de perder votos" e de "ficarem mal vistos junto da comunidade internacional".

Para esta noite está prevista uma concentração em Barcelona, mas na sexta-feira, véspera do fim de semana, haverá cinco marchas de populares, saídas de diferentes partes da Catalunha na quarta-feira, que convergem na capital catalã e outra grande manifestação, assim como uma greve geral.

Os protestos separatistas começaram na segunda-feira, depois de ser conhecida a sentença contra os principais políticos catalães responsáveis pela tentativa de independência da Catalunha em outubro de 2017.

Os juízes decidiram condenar nove deles a penas até 13 anos de prisão por delitos de sedição e peculato.

Desde o início da semana, grupos de independentistas cortam estradas e vias de caminho-de-ferro um pouco por toda a Catalunha.

Na noite de segunda-feira houve manifestações em redor do aeroporto internacional de Barcelona seguidas de ações de grupo violentos e nas noites seguintes a mobilização mudou-se para o centro de Barcelona, onde voltou a haver distúrbios.

A Catalunha é a região mais rica de Espanha e desde 2015 que o parlamento regional tem uma maioria de deputados independentistas que defendem a separação da região de Espanha.

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