Portugueses em Londres: "Os que cá estão não vão ser expulsos"

Imigrantes portugueses reagem à decisão dos britânicos de sair da União Europeia

O brexit está nas bocas dos imigrantes portugueses que tomam o pequeno-almoço nas mesas da Patisserie Lisboa e do Café O'Porto, em lados opostos da rua Golborne. Mas, pelo menos neste cantinho de Londres, não parece haver preocupação com a decisão tomada pelos britânicos no referendo sobre a saída da União Europeia.

"Por um lado concordo com o que eles disseram, porque muita gente veio para aqui e já tem direito a tudo e mais alguma coisa sem nunca terem trabalhado", conta Ana Maria, de 60 anos, quase metade deles na capital britânica. "Mas por outro discordo, por causa das consequências económicas. Com a libra a cair o poder de compra já vai ser menor", explica, na Patisserie Lisboa.

Noutra mesa discute-se se será ou não preciso o passaporte para viajar para Portugal e na esplanada que vai ser mau para os que vão agora de férias porque a libra está a cair.

Tânia chegou há apenas quatro anos e confessa que a decisão dos britânicos a deixa indiferente. "Ainda não sei o que isso vai implicar para mim", explica, numa pausa do trabalho no café O'Porto. "Na altura, quando acontecer, logo vejo o que acontece. Daqui até lá muita coisa pode mudar", refere, admitindo que muitos clientes portugueses não estão felizes com o brexit.

Atrás da caixa registadora da Lisboa Delicatessen, o supermercado de produtos portugueses, está Carlos Gomes. "Vai afetar as pessoas como eu, que têm negócios. Vamos voltar à burocracia de antigamente", explica, não estando contudo preocupado. "Quando comecei, há 46 anos, tinha que ter autorização do departamento de agricultura para importar os produtos, e depois pedir mais um papel noutro sítio qualquer. Vai voltar a ser assim, vou ter de voltar a pedir licenças, mas para o resto da malta não vai afetar nada, porque os que cá estão não vão ser expulsos", explica.

"Vai ser como quando eu vim para aqui. As fronteiras ainda eram fechadas e deram-me contrato porque precisavam de mim. Vai voltar a ser assim. Se precisarem de mão-de-obra, chamam-nos. Se não precisarem, não chamam", resume.

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