Político passa a mão no seio de deputada na Assembleia Legislativa de São Paulo

A deputada registou uma queixa por importunação sexual e pede a cassação do mandato ao parlamentar

Um vídeo gravado por uma câmara da Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP) mostra o deputado estadual Fernando Cury (Cidadania) a passar a mão no seio da homóloga Isa Penna (PSOL) durante uma sessão extraordinária para votar orçamento do estado que decorreu esta quarta-feira.

A deputada registou uma queixa contra Cury por importunação sexual.

Nas imagens, é possível ver Cury conversar com outros deputados antes de ir em direção a Isa Penna, tocando-lhe na zona do seio. Em resposta, a deputada tenta afastá-lo.

De acordo com Isa Penna, ela e outras parlamentares já foram assediadas em outras ocasiões. "A deputada Isa Penna é conhecida por atuar em prol do combate à violência contra as mulheres e afirma que a violência política de género que sofreu publicamente na ALESP infelizmente não é um caso excecional, dado que ela e as deputadas Mônica Seixas e Erica Malunguinho, do mesmo partido, já foram assediadas em ocasiões anteriores", pode ler-se numa nota citada pela Globo.

"O caso que vivemos não é isolado. Nós vemos a violência política e institucional contra as mulheres o tempo todo. O que dá direito a alguém para encostar numa parte íntima do meu corpo? O meu peito é íntimo. É o meu corpo. Eu estou aqui a pedir pelo direito de ficar de pé e conversar com o presidente da Assembleia sem ser assediada", acrescentou.

Em conferência de imprensa, a deputada disse que Cury estava bêbado quando a apalpou. "O ser humano estava completamente bêbado. Isso ficou completamente claro, ele estava bêbado. A bebida não é o problema, tirando que a gente estava lá votando. Mas, pode ter influenciado porque ele foi tão burro que se esqueceu que estava a ser filmado", disse Isa.

Por sua vez, Fernando Cury pediu desculpas por "abraçar" a deputada, mas negou qualquer tipo de assédio ou importunação sexual: "Estou muito constrangido e muito triste pelo facto que foi aqui ocorrido e relatado, pelo julgamento feito, mas estou aqui para passar a minha versão para vocês. Em primeiro lugar, gostaria de frisar a todos, principalmente às mulheres que estão aqui, que não houve, de forma alguma, da minha parte, a tentativa de assédio, importunação sexual ou qualquer outra coisa ou qualquer outro nome semelhante a esse. Eu nunca fiz isso na minha vida. E quero dizer, de forma veemente, principalmente para as colegas deputadas que estão aqui, eu nunca fiz isso. Mas se a deputada Isa Penna se sentiu ofendida com o abraço que eu lhe dei, eu peço, de início, desculpa por isso. Desculpe se a constrangi. Desculpa se tentei, como faço com diversas colegas aqui, de abraçar e estar próximo. Se com esse gesto eu a constrangi e ela se sentiu ofendida, peço desculpas."

O deputado do Cidadania justificou-se com os abraços e beijos com que costuma cumprimentar as colegas de trabalho. "Queria dizer que não fiz por mal nada de errado. O meu comportamento com a deputada Isa Penna é o comportamento que tenho com cada um dos deputados aqui. Com os colegas deputados, as colegas deputadas, com os assessores e com as assessoras, com a Polícia Militar feminina aqui. De cumprimentar, de abraçar, de beijar, de estar junto. A minha chefe de gabinete é uma mulher. Tenho assessoras mulheres aqui, no escritório em Botucatu. Eu nunca ia fazer isso à frente de 100 deputados. Quantas câmaras há aqui na Assembleia Legislativa? Estava em frente ao presidente. Pelo amor de Deus. Eu não fiz nada disso. Não fiz nada de errado. O que eu fiz foi abraçar. Vocês viram o vídeo", argumentou.

A importunação sexual, descrita no Código Penal brasileiro como "praticar contra alguém e sem a sua anuência ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro" é punível com pena de prisão de um a cinco anos.

Contudo, Isa Penna vai mais longe e pede a cassação do mandato de Cury. "Há na conduta do Deputado, ora representado inquestionável ofensa à dignidade não apenas da Deputada Estadual, mas de toda a população do Estado de São Paulo representada pela Assembleia Legislativa. Desse modo, a quebra de decoro se mostra não apenas evidente, se não a única forma de interpretação do ato cometido, devendo assim, acarretar nas punições previstas no Código de Ética e Decoro Parlamentar desta Casa", atirou.

A ALESP fez saber que o Conselho de Ético vai avaliar o caso. O presidente do órgão, o deputado Cauê Macris (PSDB), com quem a deputada conversava no momento em que foi abordada por Cury, ainda não se manifestou.

O partido Cidadania anunciou, entretanto, o afastamento do deputado estadual Fernando Cury. Segundo documento assinado pelo presidente nacional do partido, Roberto Freire, Cury ficará afastado até a conclusão do procedimento disciplinar no âmbito partidário.

atualizado a 19/12 às 17.46

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