Piratas convidados a tentar formar novo governo da Islândia

Falhanço das duas maiores formações levaram presidente a fazer convite. Birgitta Jónsdóttir não quer ser primeira-ministra

O Partido Pirata era dado como o favorito à vitória nas legislativas de 29 de outubro. Acabou por ser o terceiro mais votado, conseguindo 10 dos 63 lugares do parlamento islandês, mas agora tem a oportunidade de formar governo, falhadas que foram as negociações das duas maiores formações políticas. O convite para tentar conseguir o apoio de 32 deputados foi feito na sexta-feita pelo presidente à líder dos piratas, Birgitta Jónsdóttir.

"Reuni-me com os líderes de todos os partidos e pedi a opinião deles sobre quem deveria liderar estas negociações. Depois disso, convoquei Birgitta Jónsdóttir e entreguei-lhe o mandato", disse o presidente Gudni Johannesson. "Tenho esperança de que encontraremos uma forma de trabalhar juntos", declarou Jónsdóttir após reunir-se com o chefe de Estado.

Os piratas vão agora negociar com outras quatro formações políticas com assento parlamentar - Esquerda-Verdes, Aliança Social Democrata, Futuro Brilhante e Partido Reformista. Em cima da mesa irão colocar as suas reivindicações: mais transparência e responsabilização política, cuidados de saúde gratuitos, o fim de injustiças fiscais e uma maior proteção dos dados dos cidadãos. E terão de enfrentar as críticas dos opositores, que acusam os piratas inexperiência política, o que poderá afastar os investidores e destabilizar a frágil economia islandesa.

Nas eleições de 2013 na Islândia, o Partido Pirata não passou dos 5,1% dos votos e apenas elegeu três deputados. No passado dia 29 de outubro, os piratas conquistaram 14,5% dos votos, o que lhes deu dez assentos parlamentares.

Uma coisa parece certa: qualquer deputado do Partido Pirata que tome posse como ministro de um futuro governo terá de abandonar o seu lugar no parlamento, confirmou recentemente Birgitta Jónsdóttir. No sistema em vigor na Islândia, os ministros continuam como deputados enquanto desempenham as suas funções governativas, algo com o qual os piratas não concordam. "Isto é algo no qual o nosso partido está focado sozinho e não iremos exigir que outros partidos o sigam numa hipotética coligação", explicou ao site Iceland Monitor.

Falta de acordo

Na condição de partido mais votado, o eurocético Independência foi o primeiro a receber um mandato do presidente islandês para formar governo. Mas a 15 de novembro, Bjarni Benediktsson, o seu líder, admitiu que tinha falhado na sua missão de obter um executivo de coligação com o Partido Reformista e o Futuro Brilhante.

"Não tenho partidos para formar um governo maioritário", declarou, na altura, Benediktsson. As razões para o falhanço das negociações entre as três formações estiveram relacionadas com as quotas de pesca e a adesão à União Europeia.

No dia seguinte, foi a vez do Esquerda-Verdes, o segundo mais votado, receber o mandato do presidente. Katrin Jakobsdottir, a líder da formação, pretendia coligar-se com o Partido Pirata, a Aliança Social Democrata, Futuro Brilhante e Partido Reformista. Um governo com esta coligação teria 34 dos 63 deputados do Althingi, o parlamento islandês. Depois de negociações para tentar resolver as diferenças em como aumentar os fundos para financiar a segurança social e a educação, bem como outros temas, no passado dia 23 Jakobsdottir veio a público admitir a sua derrota. "Nem todos os partidos têm a convicção necessária para continuar estas negociações para formar governo. Por isso, decidi que as negociações terminaram", afirmou.

Logo na altura, Birgitta Jónsdóttir mostrou-se disponível para o Partido Pirata formar governo, caso fosse convidada pelo presidente islandês. "Mas então teremos de encontrar uma via diferente da atual, porque nenhum destes partidos para ser capaz de trabalhar em conjunto", declarou.

A questão é se, em caso de sucesso, Jónsdóttir será primeira-ministra. O desejo da ex-ativista da WikiLeaks é ser presidente do Althingi. Um cargo que, disse antes das eleições, lhe permitiria voltar a dar poder à legislatura, ou seja, aproximar a política dos cidadãos, uma das causas dos piratas.

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