Pentágono quer criar dois novos tipos de armas nucleares

Estratégia termina definitivamente com a política de redução deste tipo de armamento da era Obama

O Pentágono apresentou esta sexta-feira as linhas orientadoras da sua nova política nuclear, que inclui a proposta da criação de dois novos tipos de armas deste tipo no que representa o fim da tendência de redução de armamento que prevaleceu durante a presidência de Barack Obama.

Trata-se da primeira atualização da política para as armas nucleares realizada desde 2010. O secretário da Defesa, Jim Mattis, citado pelo Washington Post, descreveu-a como necessária para "olhar de frente a realidade" e "ver o mundo como ele é e não como gostaríamos que fosse".

Enquanto Barack Obama afirmara que os EUA tinham a "obrigação moral" de encabeçar o processo mundial de desnuclearização, o presidente Donald Trump assumiu desde o primeiro minuto que esta abordagem era irrealista.

Isso mesmo foi também, no início desta semana, a posição assumida pelo general da Força Aérea Paul J. Selva, que afirmou à imprensa: "Ao longo dos últimos anos, a Rússia e a China têm vindo a construir novos tipos e géneros de armas nucleares, tanto sistemas de lançamento como ogivas. Nós não o temos feito, o que significa que os arsenais nucleares russos e chineses têm na realidade ficado melhor do que o nosso".

Na nova proposta do Pentágono, inclui-se a criação de "armas nucleares de fraca energia" a serem colocadas em mísseis balísticos lançados a partir de submarinos.

Os críticos da proposta afirmam, entre outros argumentos, que a ideia de uma arma nuclear de "baixa potência" só faz aumentar a tentação de a utilizar.

Exclusivos

Premium

Liderança

Jill Ader: "As mulheres são mais propensas a minimizarem-se"

Jill Ader é a nova chairwoman da Egon Zehnder, a primeira mulher no cargo e a única numa grande empresa de busca de talentos e recursos. Tem, por isso, um ponto de vista extraordinário sobre o mundo - líderes, negócios, política e mulheres. Esteve em Portugal para um evento da companhia. E mostrou-o.

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.