Bombista suicida mata oito pessoas em reunião religiosa em Cabul

No encontro, o conselho tinha declarado que "os ataques suicidas são considerados 'haram': proibidos de acordo com as leis islâmicas".

Pelo menos oito pessoas morreram num atentado suicida que atingiu hoje um centro religioso na capital do Afeganistão. A explosão ocorreu após um encontro em que os ataques suicidas foram considerados haram, atos considerados proibidos por Alá.

Ghafor Aziz, chefe do 5.º Distrito da Polícia de Cabul, disse à agência Associated Press que a explosão foi provocada por um bombista suicida e atingiu o acesso principal das instalações do Conselho de Ulemas Afegão, um centro religioso na capital do Afeganistão.

Até ao momento o atentado ainda não foi reivindicado. Mas reforça o sentimento de deterioração de segurança no caminho para as eleições parlamentares e distritais, previstas para 20 de outubro.

Cerca de dois mil membros do concelho de Ulemas encontravam-se reunidos nas instalações para a Loya Jirga (grande conselho), onde tinha sido montada uma tenda tradicional para a habitual reunião de anciãos.

Antes do atentado, o conselho tinha declarado que "os ataques suicidas são considerados 'haram': proibidos de acordo com as leis islâmicas". Segundo a Reuters, planeavam emitir uma fatwa (decisão religiosa) a exigir aos talibãs que restaurem a paz, permitindo a saída das tropas estrangeiras do país.

O atentado surpreendeu os participantes, no final da reunião, no momento em que se preparavam para abandonar o local.

"Houve pânico após a explosão", disse um responsável de segurança à Reuters, avisando que o balanço de mortos poderá aumentar.

O conselho de Ulemas, inclui imãs, professores e autoridades religiosas e legislativas de todo o país e que se reuniram hoje na capital.

O conselho tinha feito um apelo às forças governamentais afegãs e aos talibãs para terminarem com combates no sentido de alcançarem um cessar-fogo. Os talibãs, derrubados pela invasão liderada pelos EUA em 2001, querem que o Afeganistão regresse a uma lei islâmica mais rigorosa.

Dezenas de pessoas morreram numa série de atentados em Cabul nos últimos meses e as explosões não parecem ter acalmado neste mês sagrado do Ramadão.

Exclusivos